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domingo, 10 de novembro de 2019

Barbara Reis apoia sua personagem em 'Éramos seis', que abandona o marido: 'Gratidão não faz gozar!'

Conjunto Morena Nude (R$ 100); acessórios (acervo pessoal)
Foto: Ricardo Penna
Isabella Cardoso
O fim de ano se aproxima e, junto com ele, o tempo das festas, das mais chiques até as mais descoladas. No ar em “Éramos seis”, Barbara Reis tem motivos de sobra para comemorar nesta reta final de 2019. A atriz acabou de completar 30 anos de idade, vem sendo elogiada por seu papel na novela das seis e faz questão de viver o presente, sem se preocupar com o amanhã. A espontaneidade se reflete em seu estilo já que, segundo ela, quando o assunto é moda, não gosta de se definir.
— Tem dia em que estou esportiva, em outros, alternativa; às vezes, me visto como se estivesse nos anos 80; e tenho meus momentos de arrumadona com salto. Meu look vai muito de como eu acordo no dia, o que eu vejo primeiro no armário — destaca a intérprete de Shirley, que diz não gostar de roupas românticas nem de tons terrosos.
Enquanto seu estilo é indeterminado, Barbara não viu dificuldades para encontrar uma definição simples e objetiva para si mesma: atriz do Méier. Segundo a bela, a expressão é justamente para ela não se deslumbrar com o perfil verificado no Instagram ou com o número de seguidores (ela tem 121 mil). Cria da Zona Norte com orgulho, a artista aceitou sem pensar duas vezes a proposta de um ensaio de moda acessível, no Mercadão de Madureira, montando looks elegantes sem gastar tanto. E, inclusive, levou um deles para casa.
— A gente nunca pode se esquecer de onde vem, o que a gente é, a educação que teve. Eu moro no Méier até hoje e não tenho planos de sair de lá — diz Barbara, que ainda vive com seus pais e pretende continuar assim: — Estar ao lado deles é essencial para mim. Eu me mantenho com os pés no chão.
Após o aniversário de 30 anos, no fim de outubro, a atriz fez um post no Instagram para agradecer a si mesma por ser uma mulher forte. Um discurso parecido causou polêmica na boca de Anitta no Rock in Rio. Barbara, porém, garante que não tem medo de críticas:
— Quem me conhece sabe que não sou pedante ou prepotente. Eu me importo realmente com quem entende meu interior. Sempre fui determinada e focada. Nunca tive medo de encarar dificuldade e sempre quis ultrapassar as minhas barreiras. Mas eu não me considero aquela mulher forte que não chora. Muita gente confunde ser forte com ser insensível. Eu tenho meus momentos também de insegurança, só não deixo isso ser determinante para desistir do que quero.
A garra é justamente o único ponto em comum entre Barbara e sua personagem. Na trama de Angela Chaves, Shirley é uma baiana que carrega duras lições de vida desde a juventude, quando engravidou do filho da patroa de sua mãe, João Aranha (Caco Ciocler). Esperando um bebê, a jovem foi expulsa da casa dele por ser negra e pobre. Shirley refez sua vida ao lado de Afonso (Cássio Gabus Mendes), em São Paulo, mas nunca esqueceu o que viveu. Por isso, mantém a filha Inês (Gabriella Saraivah/Carol Macedo) sob uma criação rígida.
— Ela vive presa no passado. Para mim, o passado passou e ficou para trás. Shirley teme o futuro, e eu nem penso muito nele, vivo o agora sempre. Se o presente é bem vivido, acredito que o amanhã vem sem sentir. Quando você vê já está realizando as coisas. Tem sido assim comigo, sabe? — compara.
Interpretando sua quarta personagem numa trama de época, Barbara diz que seu papel em “Éramos seis” é a concretização de sua carreira. O remake é inspirado no clássico da literatura brasileira escrito por Maria José Dupré.
— Na primeira versão do livro, ela assinava como Senhora Leandro Dupré, não usava o nome dela. Participar do quinto remake dessa história, por si só, já é uma coisa transgressora — salienta Barbara, feliz da vida.
Anteriormente ambientada nos anos 20, a trama fez a transição nesta semana para a década de 30. Depois de quase cem anos, é possível apontar semelhanças e diferenças com os dias atuais. Para a artista, uma das questões importantes abordadas na novela é o posicionamento da mulher.

— Na outra versão, Lola aceitava mais o machismo do marido. A de agora já vem dentro desse formato em que a mulher questiona. Tem gente que critica a novela, dizendo que as personagens femininas estão muito modernas para a época. Mas a trama tem que mostrar que há quem lute contra isso para ressaltar esse contraste. Havia uma sociedade machista e uma mulher que sofria com isso. Se ela só aceitasse, não iria levantar a discussão. É até bom que as pessoas critiquem — aponta.
Ativa nas redes sociais, Barbara faz questão de defender as decisões de Shirley. No Instagram, ela compartilha suas cenas; no Twitter, acompanha o que se comenta sobre a novela. Segundo a atriz, a falta de empatia com a história da moça a chocou:
— As pessoas não se colocam no lugar, julgam a personagem com muito machismo. Eu posso contar nos dedos quantas pessoas se solidarizaram com ela no Twitter: umas quatro.
No fim da primeira fase da novela, a mãe de Inês decide largar o marido e ir atrás de seu amor, João.
— Eles realmente foram vítimas de uma mentira, e ela nunca amou o marido dela. Não adiantava ficar presa num relacionamento por gratidão. Na internet, uma pessoa comentou e levei para minha vida: gratidão não faz gozar!

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