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domingo, 10 de novembro de 2019

Professora faz BO contra aluno de 7 anos

O garoto a teria agredido com socos e chutes; o caso chama a atenção para os conflitos envolvendo o ambiente escolar

por Cinthia Milanez

Malavolta Jr.
Coordenador da Apeoesp, Marcos Chagas teme pela extinção do cargo de professor mediador
Após sofrer diversas agressões dentro de uma escola estadual, em Bauru, uma professora registrou boletim de ocorrência (BO). No entanto, a parte mais assustadora da história, que se deu no início deste mês, consiste no fato de o acusado pela violência ter sido um estudante de apenas 7 anos. O caso explicita os conflitos envolvendo o ambiente escolar que, segundo o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), tendem a aumentar porque faltaria estrutura para coibi-los. Já o governo estadual afirma que desenvolve um programa para evitar ações do tipo (leia mais abaixo).
De acordo com o registro da polícia, tudo começou por volta das 16h do dia 1 de novembro deste ano. Na ocasião, a docente, que terá o nome preservado por questões de segurança, tentou separar uma briga de alunos do 2.º ano do Ensino Fundamental.
O desentendimento ocorreu dentro da escola. Em seguida, um dos envolvidos, um menino de somente 7 anos, desferiu socos e chutes contra a vítima, que fez o BO.
No documento, protocolado como não-criminal, por se tratar de uma criança menor de 12 anos, ela também informa que o garoto possui comportamento agressivo e sempre arruma confusões.
Três dias depois, em 4 de novembro, houve um episódio parecido. Contudo, desta vez, a mãe de um estudante do 6.º ano do Ensino Fundamental de outra escola estadual procurou pela polícia para relatar que o filho, de 11 anos, teria sido agredido por um professor.
Conforme consta no BO, o docente "discutiu com a criança e bateu o seu corpo contra uma carteira, na frente dos demais colegas de classe".
PANORAMA
Coordenador da Apeoesp, em Bauru, o professor Marcos Chagas afirma que o governo estadual cortou, pela metade, o número de professores mediadores, fundamentais para a resolução de diligências em ambiente escolar.
Ele estima que pouco menos de 50% dos colégios estaduais do município deixou de abrigar profissionais do tipo.
Porém, de acordo com o docente, tal função representa somente mais um instrumento.
"Precisamos reduzir a quantidade de alunos nas salas de aula, que, hoje, estão superlotadas. Além disso, temos unidades de ensino com apenas um funcionário de pátio. Quando adoece, os estudantes ficam sem supervisão", argumenta.
ESTADO
Dirigente Regional de Ensino (DRE) de Bauru, Gina Sanchez lamenta por ambas as ocorrências. "Nós contamos com a figura do professor mediador em parte das escolas. No restante, o próprio vice-diretor desempenha o ofício, ou seja, todas as unidades possuem o serviço", complementa.
Gina acrescenta que nenhum dos 52 colégios estaduais de Bauru trabalha com salas de aula superlotadas.
As classes, segundo ela, funcionam sob o limite permitido por lei: 30 alunos para o 1.º ao 5.º ano, 35 para o 6.º ao 9.º ano e 40 para o Ensino Médio.
A dirigente da educação frisa, também, que os conflitos em ambiente escolar correspondem ao reflexo da sociedade como um todo.
"Cada vez menos, as pessoas sabem lidar com a negativa, culminando em violência", finaliza.

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