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sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Ter câncer de mama afeta a fertilidade da mulher? Especialistas tiram dúvidas


Especialistas esclarecem se o fato de ter câncer de mama pode afetar a fertilidade da mulher

Segundo profissionais, o tratamento que mais interfere na capacidade reprodutiva é a quimioterapia
 Foto:Banco de Imagens/Getty Images

Corria o ano de 2017, quando a pedagoga Silmara Franco, hoje com 46 anos, foi surpreendida com uma notícia nada agradável ao tentar engravidar. Na época, ela apostava na fertilização in vitro para realizar o sonho de ter um filho com o marido, Júlio Bastos, 51.
Após uma primeira tentativa sem sucesso, o casal decidiu tentar de novo. No intervalo entre os procedimentos, porém, um detalhe chamou atenção: “Eu senti uma coceirinha na mama direita e eu pude perceber uma bolinha do tamanho de uma ervilha”.
Com o intuito de ficar grávida logo, Silmara não perdeu tempo e fez a mamografia. “Continuamos com o processo de fertilização e eu estava tecnicamente grávida, com o embrião implantado”, conta.
Mas seus planos começaram a ruir na mesma semana, quando o resultado do exame acusou 90% de chances de ser um câncer maligno. Além disso, 15 dias após a transferência do embrião, o teste para confirmar a gestação deu negativo. “Tínhamos duas mortes: uma no sentido simbólico e outra no físico”, relembra.
Após realizar todos os demais exames e pedir licença médica, a pedagoga iniciou a quimioterapia no seu aniversário de 42 anos. “Não tive como evitar a retirada da mama direita (procedimento conhecido como mastectomia) e passei por um processo de reconstrução física e emocional nessa época”, descreve.
O processo foi tão invasivo que ela ficou impossibilitada de engravidar mesmo após o término das sessões de quimioterapia. Em busca de respostas sobre a condição, AnaMaria Digital conversou com especialistas para entender qual a relação entre câncer de mama, seus tratamentos e a fertilidade.
CÂNCER DE MAMA X FERTILIDADE
O câncer de mama em si não interfere na fertilidade. No entanto, segundo o mastologista Alexandre Pupo, do Hospital Sírio Libanês, de São Paulo (SP), o principal problema, como no caso da Silmara, são os tratamentos adjuvantes, como radioterapia, hormonioterapia e quimioterapia.
“Esta última é a que mais interfere na capacidade reprodutiva. Quando mais próxima a paciente estiver da menopausa, mais forte será o impacto do tratamento no ovário”, esclarece o especialista.  
Silvana Chedid, ginecologista especializada em reprodução humana, conta que, dependendo da dose, da idade da mulher e do tipo de medicamento usado, a quimioterapia pode levar à falência ovariana ou mesmo menopausa precoce.
“No caso de pacientes mais jovens, os avanços nos tratamentos têm contribuído para altas taxas de cura, além de aumentarem as chances da mulher ter um filho após a terapêutica”, diz.
Mas é preciso aguardar um tempo: “Se a paciente pretende engravidar após se tratar de um câncer, o ideal é esperar um ano após o término do processo”, ressalta o oncologista Fernando Maluf, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo (SP).
TRATAMENTO HORMONAL PARA FERTILIZAÇÃO IN VITRO
Para que haja sucesso no processo de implementação dos embriões, as clínicas utilizam medicamentos para estimulação ovariana. Assim, vale ressaltar que usar tais hormônios não vão estimular o crescimento de nenhum tipo de tumor.
“Como a exposição é por um curto período de tempo, não agrega risco da mulher vir a ter um câncer no futuro”, justifica Pupo.
O EMBRIÃO PODE SOBREVIVER AO TRATAMENTO DO CÂNCER?
De acordo com Maluf, tudo depende. Isso porque cada caso deve ser analisado pela equipe médica juntamente com a paciente. É preciso levar em consideração vários fatores, desde a fase da gestação até o estágio do tumor.
“A quimioterapia e a radioterapia dependerão do estágio da gravidez, mas, de forma geral, não devem ser realizadas no primeiro trimestre”, informa o especialista.
Guilherme Stelko Pereira, oncologista clínico do Centro de Oncologia do Paraná (PR), avalia que a recomendação é que se faça o tratamento de quimioterapia mesmo estando grávida. “A maioria das gestações tem um desenvolvimento normal”, afirma.
LIÇÃO DE VIDA
Apesar de ter sido um momento difícil, a pedagoga Silmara resolveu dar a volta por cima e aprender com tudo o que passou desde a descoberta até a cura da doença.
“Aprendi a me colocar como a pessoa mais importante do mundo. De viver a vida hoje, não fazer planos em longo prazo, ter afetos verdadeiros, ser o melhor possível para o outro, ter muita tolerância, amar e aproveitar o tempo”, relata.
Visando ajudar aquelas que estão passando pela mesma situaão, ela escreveu dois livros contando sua história, contando com o auxílio de outros profissionais para dar dicas seguras a outros pacientes e seus familiares.
Hoje, Silmara e o esposo deram entrada no processo de adoção: “Estamos grávidos do coração e aguardando o dia que uma criança nasça na nossa história.”
Confira trechos na íntegra do livro ‘Do outro lado do outubro rosa II: Uma história de reconstrução’.
"De vez em quando seja o seu gênio da lâmpada e realize alguns desejos seus...
De tempo em tempo volte a ser criança e brinque! Muitas vezes seja sua própria mãe e pai e se pegue no colo dizendo que está tudo bem, que você está seguro, que você é lindo, inteligente, importante e a pessoa mais amada desse mundo!
Seja sempre o seu melhor professor e ensine seu corpo e sua mente a buscar conhecimento! Nunca deixe de ser o aluno aplicado e atencioso para aprender todas as lições! Quando a tristeza aparecer seja o seu artista que contagia, emociona e se faça sorrir!"
Marcela Del Nero
Conteúdo/fonte;Revista Ana Maria

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