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quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Importação de gasolina aumenta, mas preço no posto não baixa

Bomba de gasolina em posto© Paulo Liebert/Estadão Bomba de gasolina em posto 
Um "boom" de gasolina importada tomou o mercado brasileiro em 2019. Foram 4,4 bilhões de litros de janeiro a novembro, um crescimento de 71,4%, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A maior parte do combustível foi trazida pela Petrobrás, mas em menor medida do que no ano anterior. Quem ganhou espaço foram as duas maiores distribuidoras privadas - a Raízen, uma junção da Shell com a Cosan, e a Ipiranga.
O consumidor final não ganhou nada com isso. O preço do litro da gasolina continuou subindo: 3,4% no período. O valor médio em janeiro era de R$ 4,268 e, em novembro, chegou a R$ 4,413, segundo a ANP.
O avanço dos importados no mercado brasileiro é consequência da política de preços da Petrobrás. A estatal optou por seguir as cotações internacionais, em paridade com as principais bolsas de negociação.
“A paridade de preços torna a importação atrativa. Para a Petrobrás, significa ganho de receita. Não é interessante para ela desestimular a concorrência e perder dinheiro”, avalia Luciano Losekann, especialista em Petróleo e Gás Natural e professor da Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Ao acompanhar a cotação da commodity, a estatal vende gasolina pelo valor negociado na Europa e Estados Unidos e corrige sua tabela pelo câmbio. Com isso, gera uma receita maior do que se optasse pela metodologia tradicional, um somatório de custos de produção com margem de lucro.
Essa política, porém, abre espaço para que concorrentes ganhem mercado. Lidera essa corrida quem tiver mais experiência, infraestrutura logística, e, portanto, menores custos. Considerando a ocupação do mercado em 2019, quem saiu na frente foi a Raízen.
"Não foi uma decisão puramente comercial da Petrobrás para aumentar a receita, porque, em alguns momentos, seguir o mercado externo não é bom. Às vezes o preço despenca lá fora. Ela começou a ter dificuldade mesmo quando perdeu a capacidade de produzir o que o mercado doméstico demandava, a partir de 2012", afirmou o consultor de Petróleo e Gás da FCStone, Tadeu Silva
Nos postos de gasolina, porém, nada mudou. Com o petróleo do tipo Brent e o dólar em alta ao longo do ano, a competição entre os fornecedores não foi suficiente para evitar que a gasolina ficasse mais cara.
“A possibilidade de importações é importante para limitar o preço da Petrobrás. Mas isso não significa que o momento de mais competição é também o de menores margens e, portanto, benéfico para o consumidor”, complementa Losekann.
Em 2019, a importação respondeu por 12,71% da gasolina vendida pelas distribuidoras no mercado interno, de acordo com a ANP. No ano anterior, a relação era de 7,4%, quase a metade. A FCStone calcula que a Petrobrás respondeu por 81% da importação em 2019. Em 2018, tinha ficado com 88%.
As três maiores distribuidoras de combustíveis reunidas no Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom) aumentaram sua participação de 2,06% para 5,95%.
“Empresas com mais capacidade de importar no curto prazo ganham mercado. É preciso ter estrutura para isso, tem que ter acesso a linhas e um método de operação desenvolvido”, considera Silva, da FCStone.
As pequenas comercializadoras encolheram no período de janeiro a novembro do último ano, de 3,53% para 2,41%.
“Quem atua na cadeia completa, como as grandes distribuidoras, tem vantagem sobre as comercializadoras. Elas podem considerar uma margem integrada. Isso explica porque as grandes empresas estão crescendo”, disse o presidente da Associação dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo.
Procurada, a Petrobrás não se pronunciou.




O medo do desemprego caiu, após oscilar muito

© Foto: Getty
Um dos termômetros sensíveis do grau de confiança das famílias é o que permite avaliar o temor de perder o emprego. É o caso do Índice de Medo do Desemprego e Satisfação com a Vida, apurado em pesquisa trimestral da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e que trouxe sinais positivos. Quanto menor o indicador, melhor – e o indicador caiu 2,1 pontos entre setembro e dezembro de 2019.
O comportamento do índice ao longo de 2019 mostrou a repercussão dos baixos e altos da economia sobre a percepção dos trabalhadores. Após registrar 55 pontos em dezembro de 2018, quando os brasileiros “estavam otimistas com o resultado das eleições”, o indicador cresceu no primeiro semestre de 2019 em razão das frustrações com o desempenho da economia. Em setembro do ano passado, o índice ainda registrava 58,2 pontos. Mesmo depois da queda em dezembro, o índice ainda está acima da média histórica de 50,1 pontos.
O temor de perda da ocupação é maior nas faixas de baixa renda, registrando 69,7 pontos entre os que ganham até um salário mínimo. Seguem-se, nas faixas que têm menos segurança quanto à preservação do emprego, as mulheres, os jovens com 16 a 24 anos, os habitantes da Região Nordeste e os trabalhadores com baixa escolaridade (que cursaram até a 4.ª série).
Ao contrário, a situação é melhor entre aqueles que ganham mais de cinco salários mínimos por mês e têm maior escolaridade. Para os trabalhadores do sexo masculino, o indicador é de 48,5 pontos. E para as pessoas que residem na Região Sul, a marca é de apenas 43,4 pontos.
O levantamento confirma o peso decisivo da escolaridade para a obtenção e a preservação do emprego, sobretudo em tempos difíceis. Quando a alta escolaridade está presente, o temor de perda de atividade é menor.
O Índice de Satisfação com a Vida oscilou pouco ao longo de 2019: de 68,6 pontos, em dezembro de 2018, chegou a 69 pontos em setembro de 2019 e caiu levemente, para 68,3 pontos, em dezembro de 2019. É maior entre os que têm entre 16 e 24 anos (72 pontos), que têm instrução superior (70,5 pontos), que habitam a Região Sul (70,4 pontos) e que moram no interior (69 pontos).
São indicadores que devem ser levados em conta na formulação de políticas públicas, principalmente ao mostrar a importância de investir em educação.
Notas & Informações
Estadão
fonte:msn

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