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sábado, 9 de maio de 2020

Bancários cumprem missão de atender

Agências têm formado filas diariamente e funcionários não medem esforços de ajudar no saque do auxílio emergencial

por Bruno Freitas

JCNET

Aceituno Jr
Madalena Hidalgo é assistente de varejo e bancária há 14 anos
O contágio por coronavírus segue disseminado, mas isso não diminui os esforços dos bancários que desempenham um serviço essencial durante a quarentena, no atendimento ao público. Eles estão expostos, com segurança, para atender milhares de pessoas, propiciando ajuda para que todos possam ter acesso a benefícios, ao auxílio emergencial ou então para utilizar os caixas eletrônicos de suas respectivas agências. Por mais que existam serviços online, os trabalhadores de bancos em Bauru destacam que uma parcela da população frequenta agências diariamente.
O município conta com aproximadamente 1.200 bancários, segundo dados do sindicato da categoria, e a reportagem conversou com três deles que compartilharam o sentimento de estar na linha de frente, cumprindo a missão de ajudar os correntistas, além do desafio de se proteger contra a Covid-19.
Bancária há 31 anos em uma agência do município, a gerente do Banco do Brasil Nadia Obeidi revela que trocou o trabalho burocrático para ajudar no atendimento ao público. Segundo ela, os correntistas estão muito ansiosos e o trabalho humanizado é fundamental neste momento, porque além de usar o serviço do banco, os clientes sentem a necessidade de ter alguém com quem conversar.
"Deixei a parte de gestão de lado e fui atender. São muitas pessoas procurando os bancos de uma só vez. Além de ajudá-los com o serviço que precisam, procuramos ouvi-los. Muitos não têm família e eu estimo que 70% dos que nos procuram neste momento de pandemia são idosos. Eles querem ter certeza que tudo está certinho com a conta", comenta.
Nadia destaca ainda que o serviço dos colegas bancários tem sido essencial neste momento de pandemia e que ela e os demais servidores chegam a ser uma extensão dos familiares dos clientes. "Aconselhamos que precisam se resguardar. Eles pedem ajuda com outros aspectos, nos pedem conselhos e a gente orienta em tudo que está a nosso alcance. Hoje estamos em número menor, porque tem funcionários que pertencem a grupos de risco, estando de férias ou home office. Mas o espírito é de ajudar, sempre", acrescenta.
SUSTO
Wilson Fogaça, bancário há 13 em uma agência Caixa, onde atua como gerente geral, conta que a esposa pertence ao grupo de risco, por ter asma, e que existe a preocupação diária de preservar tanto ela quanto o casal de filhos, mas ao mesmo tempo existe uma missão a cumprir.
"Tenho o receio que todos têm, do contágio, não só no trabalho, mas em qualquer lugar que a gente vai. Eu estava morando fora de Bauru há sete anos, e a quarentena me trouxe de volta pra cá, para trabalhar aqui na minha cidade. E logo quando voltei tive um susto, porque peguei uma gripe e fiquei de quarentena em casa, isolado, por 15 dias, até ser liberado para voltar a agência", recorda.
O gerente comenta ainda que ele tem vivenciado o dia a dia do atendimento ao público e monitorado se os clientes e os colegas bancários estão tomando todos os cuidados. E revela ainda que a rotina mudou bastante. Uma das mudanças é que ele não está mais almoçando em casa, para evitar o ir e vir durante a semana.
"O interessante é que noto que nós nos preocupamos com os clientes e eles conosco. É muito gratificante poder ajudar. E no dia a dia eu percebo que nosso trabalho está sendo reconhecido por eles. Na Caixa eu costumo dizer que todos que entram aqui são clientes e vão ser atendidos da melhor maneira possível", reforça.
SEM PRECEDENTES
A assistente de varejo Madalena Hidalgo, bancária há quase 15 anos, complementa que a profissão que ela e os colegas exercem passa por momento difícil, onde ocorre um movimento sem precedentes, mas que com todas as proteções ela se sente confortável para atender. "Fui voluntária na Caixa para voltar à linha de frente, no atendimento. O maior desafio que vejo com tudo o que está acontecendo é o fato de a gente se distanciar dos familiares. Mas aqui na agência eu posso dizer que todos estão envolvidos em ajudar as pessoas a conseguirem sacar o auxílio emergencial e que o dinheiro chegue a todos o mais rápido possível". Ela acrescenta ainda que nas agências eles buscam atendimento olho no olho e isso é reconhecido pelas pessoas que enfrentam as filas. "Gentileza gera gentileza. Nos preocupamos com eles e tem sido recíproco. Espero que tudo isso passe o mais rápido possível", finaliza.

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