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segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Agronegócio: pandemia causa mudanças na lida com o campo
A imagem pode conter: céu, atividades ao ar livre e natureza
Foto: Rodrigo Scapin/Cedida

Problemas com transporte, fornecimento e acesso ao comércio de insumos também foram resultados do isolamento social
REGIÃO - THIAGO MORELLO / O Imparcial Presidente Prudente
O isolamento social ocasionado pela pandemia da Covid-19, seja de mais ou de menos, atingiu todos os setores de atividade econômica. E para cada um deles o impacto foi diferente. No agronegócio regional, por exemplo, o Sindicato Rural de Presidente Prudente entende que o termo exato é “atrapalhou” e não “impactou”. Mas, desde que o cenário crítico começou, tem causado mudanças na lida com o campo, além dos problemas e dificuldades ocasionados.
Exemplificando, Rodrigo Scapin, produtor rural especializado no comércio de amendoim, do Pontal do Paranapanema (Teodoro Sampaio), explica como era o trabalho desenvolvido antes e depois da pandemia. “A gente já começa o dia de forma diferente. Por exemplo, toda manhã, antes íamos em dois carros para a lavoura, com todos os funcionários necessários. Hoje não, hoje cada um vai com seu carro [para haver o distanciamento] e eu tenho fornecido combustível a eles. Isso aumenta os gastos”, completa.
Fora os maquinários, que antes eram utilizados por todos, hoje cada um fica disposto a apenas um, evitando assim várias pessoas em contato com o mesmo equipamento. “Na hora do almoço, cada um almoça para um canto. Não temos mais essa interação de antes”, completa Rodrigo, sem deixar de mencionar o uso frequente de álcool em gel e máscaras e que, dentre todas as mudanças comportamentais, o que mais afeta é o acesso ao comércio, sendo assim, dificultando a entrega e transporte de mercadorias, como insumos necessários para lidar com cada produção agrícola.
“Atrapalha, mas não impacta. Não posso dizer, por exemplo, que afetou no mercado, na venda de produtos. Então, aqui para gente o que mais impactou foi no acesso ao comércio, por exemplo, nas lojas de peças e concessionárias de máquinas, etc. O mercado do amendoim segue firme com as exportações, que diga-se de passagem, cresceram muito”, observa.
ATRAPALHA, MAS NÃO IMPACTA. NÃO POSSO DIZER, POR EXEMPLO, QUE AFETOU NO MERCADO, NA VENDA DE PRODUTOS
Rodrigo Scapin
À reportagem, o produtor frisa que nesse momento a maior preocupação é com o medo que toda a situação gera, mas o sentido de afetar a saúde de todos.
Reflexo regional
A situação do Rodrigo não é a única, de acordo com o presidente do Sindicato Rural, Carlos Roberto Biancardi. Mas reitera que, mesmo o agronegócio não sofrendo impactos tão negativos e profundos, como outros casos, de modo geral, a pandemia vem tendo efeitos em todas as atividades. “As principais atividades se mantiveram normalmente. O que mais afeta é o fornecimento de produtos que esses locais utilizam”, pontua.
Ainda segundo ele, quem sente mais é o pequeno produtor, mais próximo da cidade, que geralmente vive do comércio local, de abastecer e fornecer, por exemplo, supermercados e demais estabelecimentos. “Produtores locais, que tinham uma cadeia de fornecimento, se deparam com uma retração. Quem trabalha com produtos não tem possibilidade de armazenamento, como frutas, verduras e legumes, que perdem a qualidade com o tempo. Isso significa mais problemas”, lamenta.

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