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terça-feira, 18 de agosto de 2020

Hora de repensar o estilo de vida
© Fornecido por Estadão
Recentemente ouvi de um colega médico o quanto a obesidade e o sedentarismo aumentam os riscos de complicações em quadros da Covid-19. Ele mesmo, após contrair a doença e receber alta, comentava o quanto o estilo de vida que estava adotando o prejudicou. Estava com a diabetes descontrolada, acima do peso e sem praticar exercícios físicos há algum tempo.

Essa constatação é fato e o que isso nos ensina? Vamos deixar de lado um pouco a covid e lembrar que não é novidade que a prática de exercício físico e ponderação na alimentação trazem benefícios à saúde. E isso não tem nenhuma relação com estética, estamos falando de saúde.
Embora esse discurso seja antigo, percebemos que muitas pessoas ainda deixam essas orientações de lado em virtude de uma rotina de trabalho e vão postergando mudanças nos hábitos de vida. O que fazer?

Sou um liberal e acredito que, em última instância, o indivíduo decide o que quer fazer.  Odeio regras tabuladas de maneira igualitária para todos e adoro nas minhas aulas citar exemplos de longevidade que, muitas vezes, são paradoxos como o caso de Churchill ou Mike Jagger
Entretanto temos que ajudar nossos pacientes a realmente mudarem a chave de maneira natural e íntima. Não adianta recriminar as pessoas e botar-lhes o dedo no nariz. A Covid-19 fez com que todos repensassem as relações com a saúde.  Um artigo publicado no New England Journal of Medicine esta semana "Covid-19 and the mandate to redefine preventive care" escrito pelos colegas Daniel Horm e Jennifer Hass mostram um caminho interessante sobre a oportunidade de se desenvolver sistemas alternativos para promover a prevenção baseada em evidências.
Por que não mapear todos os pacientes e ajudá-los com um concierge (navigator em inglês ou o bom e velho agente comunitário ou um gerontólogo) para não se perder nas dificuldades do sistema? Por que não oferecer espaços públicos bons em cada bairro para a prática de esportes? É claro que tudo isto depende de muitas coisas nem sempre acessíveis em um país como o nosso.
A pandemia tem reforçado cada vez mais a importância da saúde e não estou falando da covid-19, estamos falando de inúmeras doenças que podem matar e que pioram a qualidade de vida das pessoas e poderiam ser prevenidas ou mantidas sob controle com mudanças simples de hábitos.
Uma sistemática em larga escala de prevenção baseada no bem estar da população é necessária. Se não tentarmos cuidar de todos, respeitando as perspectivas liberais do indivíduo, piores resultados virão com ou sem covid. E você já repensou seu estilo de vida? Vamos viver mais e melhor?

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