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sábado, 1 de agosto de 2020

Padrasto pisou na cabeça do enteado que morreu afogado em lama para evitar que ele pedisse socorro, diz delegado
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Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Família de Danilo Sousa, de 7 anos, tinha denunciado que o menino sumiu ao sair para ir à casa da avó. Ele foi achado morto dias depois, em uma mata a cerca de 100 metros de onde morava.
Por Rafael Oliveira, G1 GO
A investigação sobre a morte do menino Danilo de Sousa Silva, de 7 anos, encontrado morto após ser afogado em lama, em Goiânia, revela que o padrasto dele, Reginaldo Lima, pisou na cabeça do enteado para evitar que ele gritasse por socorro durante a agressão. Ele e um servente de pedreiro, acusado de auxiliar no crime, foram presos nesta sexta-feira (31).
"Reginaldo evitou que o menino gritasse pisando na cabeça dele. Ele pisou várias vezes e, com a mão, forçava a cabeça do menino junto ao solo", disse o delegado Ernane Cazer, que participou da força-tarefa montada para investigar o crime.
O outro detido nesta sexta-feira se trata de Hian Alves de Oliveira, de 18 anos, filho adotivo do pastor que mora na mesma rua que a família de Danilo. Conforme o delegado, ele segurou os braços do menino enquanto ele era agredido pelo padrasto. Em troca, receberia uma moto e um carro, segundo a investigação.
O G1 tenta localizar a defesa dos detidos para que se manifeste sobre o caso. Ao chegar à Delegacia de Investigação de Homicídios, o padrasto alegou que é inocente.
Segundo a família contou à Polícia Civil, Danilo sumiu no último dia 21 de julho ao sair para ir à casa da avó, que fica na mesma rua, no Parque Santa Rita. Seis dias depois, um corpo foi encontrado na mata que fica a cerca de 100 metros da casa do garoto. No dia seguinte, a corporação confirmou que se tratava da criança que estava desaparecida.
Investigação
O delegado Rilmo Braga, titular da DIH, delegacia responsável pela força-tarefa montada para solucionar o caso, explicou que o padrasto estava insatisfeito com a convivência com o menino e tinha aversão aos dois enteados. Ao todo, a família era composta por seis crianças, sendo que apenas quatro eram fruto da relação de Reginaldo com a mãe de Danilo.
Por isso, conforme o delegado, Reginaldo ofereceu dinheiro para que o servente de pedreiro o ajudasse a cometer o crime. Em depoimento, Hian relatou que auxiliou o padrasto do garoto a segurar o enteado para que ele fosse agredido pelo padrasto na mata.
"No dia da morte do menino, eu estava trabalhando na obra. O padrasto arrastou o menino lá para dentro [da mata] e machucou ele com um pau. Fui até a beirada da mata para levar o menino, segurando pelo braço. Depois, fui trabalhar e ele ficou com o menino na mata", detalhou Hian.
O delegado Ernane Cazer deu mais detalhes sobre a participação do servente de pedreiro. "O padrasto prometeu uma moto e um carro para Hian ajudá-lo. Ele, então, esperou o padrasto e o menino entrarem na mata e, depois, foi ao local para ajudar a segurar a criança, enquanto o padrasto machucava o menino, por pura maldade", detalhou o investigador.
Rilmo Braga descartou, neste momento, a prática de violência sexual contra o menino durante o crime. "Por hora, está descartada conotação de crime sexual. As lesões encontradas no corpo do menino pela perícia não apontam diretamente para este tipo de ato", explica o delegado.
Conforme o investigador, Hian trouxe revelações que somente uma pessoa que esteve no local do crime poderia saber. "A outra testemunha, que será guardada em sigilo por se tratar de um adolescente, presenciou o adentramento dos suspeitos na mata", esclarece o delegado.
Parentes desse adolescente, de 13 anos, revelaram que ele teria visto Danilo no campinho de futebol do bairro no dia em que o garoto desapareceu. Após o crime, o menino viajou para a casa de parentes no Tocantins. Por isso, segundo a família, policiais foram buscá-lo para que ele prestasse depoimento.
Velório
Danilo foi enterrado no Cemitério Municipal Vale da Paz, em Goiânia, na tarde de quarta-feira (29). Durante o velório, os padrasto se mostrou inconsolável e precisou ser amparado por dois homens.
Já a bisavó do garoto, Maria de Almeida Silva, estava emocionada. "Esquecer, nós nunca vamos esquecer, mas Deus vai consolar a gente porque a aflição é muito grande", relatou emocionada.
Pai do menino, Damião Sousa e Silva mora no Pará e não teve condições de ir ao velório e enterro do filho, mas também disse que lembra do filho como uma criança diferente. “Na época que eu saí daí ele só tinha 2 anos de idade, mas era um menino especial”, afirmou.
Veja outras notícias da região no G1 Goiás.

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