Páginas

Pesquisar este blog

domingo, 27 de setembro de 2020

Acidentes domésticos registrados com aranhas crescem 50% em Presidente Prudente


Foto: Cris Shulman/Cedida

Espécies mais comuns na região do Oeste Paulista são a marrom e a armadeira. O clima quente favorece o aparecimento destes animais dentro das residências das pessoas.
Por Gabriel Lanza, TV Fronteira
Imagine a cena. Você está na garagem, fazendo as suas coisas e, de repente, a sua filha de cinco anos começa a gritar... O motivo? O aparecimento de uma enorme aranha no sofá da casa. E é isso o que aconteceu com a Denise Urtado, que é auxiliar de prótese e moradora de Presidente Prudente (SP).
“Eu não estava dentro de casa, aí a minha filha começou a gritar e eu fiquei desesperada. Quando cheguei, vi que a aranha era enorme e até tirei uma foto dela. Ainda bem que ninguém foi picado”, conta ao G1.
“Encontrar um animal desses em casa é ruim. Eu tenho crianças pequenas e nunca sabemos se a espécie é venenosa ou não, então, eu tenho medo. E é a quarta aranha que encontro aqui em seis meses”, complementa.
Mas se engana quem pensa que acidentes domésticos com aranhas são cada vez mais raros. De acordo com os dados da Vigilância Epidemiológica Municipal (VEM), já foram oito picadas em Presidente Prudente no período de janeiro a agosto deste ano. No mesmo período no ano passado, foram quatro ocorrências, ou seja, o crescimento registrado é de 50%.
Funcionário do setor de endemias da cidade, o agente Júlio Carvalho Filho foi picado por uma aranha-marrom ainda no início do ano. Na ocasião, ele estava vistoriando um imóvel que tinha madeiras e materiais orgânicos e só foi perceber a picada depois.
“Todo o cuidado agora é pouco. O inchaço e a dor são bem grandes mesmo. É como se fosse uma febre localizada, que ‘torra’ o seu corpo por dentro”, relembra ao G1.
“Agora, quando vou entrar em construções, eu tomo muito cuidado, pois tem lugares com madeiras e serragens. Sempre devemos tomar cuidado também quando vamos calçar os sapatos”, emenda.
O número de registros de picadas de aranhas também subiu no Estado de São Paulo. Conforme os dados do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), foram 5,3 mil casos e três óbitos em 2018, enquanto que em 2019 o número de ocorrências passou para 6,1 mil, com apenas um óbito.
“Esses animais estão passando por um sistema de antropização. Ou seja, o animal passa a ser um animal sinantrópico, que passa a conviver com o ser humano. Ele vai ver um ambiente favorável e ele vai se sentir seguro. Na natureza, ele tem o seu predador. Dentro da casa, não”, frisa o biólogo André Gonçalves ao G1.
“Tem aranhas que você encontra com mais facilidade, como a aranha-marrom e a armadeira, principalmente na região de Presidente Prudente. Também tem a caranguejeira, que é comum encontrar dentro de casa. O clima quente de 2020 favorece o aparecimento delas dentro de casa”, adiciona.
Orientação médica
Segundo o médico infectologista André Pirajá, as picadas da aranha-marrom e da aranha-armadeira contam com características bem específicas. O ideal é ficar atento à evolução do ferimento e sempre procurar ajuda médica.
“A armadeira é mais agressiva e a sua picada gera uma dor intensa e quase que imediata no respectivo local. Já a dor da picada da aranha-marrom é mais demorada, mas ela pode até gerar necrose, com o tecido ficando morto e até mesmo preto”, pontua ao G1.
“No primeiro momento, é lavar o local com água e sabão. Se a pessoa estiver com uma dor intensa, pode fazer uma compressa morna, para aliviar a dor, e elevar o membro que foi picado”, finaliza.
Veja mais notícias em G1 Presidente Prudente e Região.

Nenhum comentário:

Postar um comentário