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quinta-feira, 10 de setembro de 2020

É falso que coquetel com hidroxicloroquina tem eficácia de 99,9% contra Covid-19
É falso que coquetel com hidroxicloroquina tem eficácia de 99,9% contra Covid-19
Pixabay

Tem circulado por todas as redes sociais um post que sugere um coquetel de tratamento contra a Covid-19. De acordo com a publicação, é recomendado tomar 200 miligramas de hidroxicloroquina duas vezes por dia. Uma vez ao dia, a pessoa deve ingerir também 500 miligramas de azitromicina e 220 miligramas de sulfato de zinco. O uso desses remédios combinados por cinco dias teria uma eficácia de 99,9% contra o novo coronavírus. O post ainda fala sobre o custo tratamento: 60 reais.
De acordo com a publicação, é recomendado tomar 200 miligramas de hidroxicloroquina duas vezes por dia. Uma vez ao dia, a pessoa deve ingerir também 500 miligramas de azitromicina e 220 miligramas de sulfato de zinco © Foto: Divulgação De acordo com a publicação, é recomendado tomar 200 miligramas de hidroxicloroquina duas vezes por dia. Uma vez ao dia, a pessoa deve ingerir também 500 miligramas de azitromicina e 220 miligramas de sulfato de zinco(Foto: Divulgação)
No entanto, a informação é falsa. Diversos estudos científicos que vem sendo feitos desde o início da pandemia no mundo, concluíram que tomar hidroxicloroquina não funciona contra a Covid-19. Isso vale tanto para a ingestão da droga sozinha como acompanhada de azitromicina – um antibiótico usado em infecções respiratórias –, como indicado no post que circula nas redes sociais.
Já o zinco, que aparece no “tratamento” que circula nas redes sociais, não é um remédio. Trata-se apenas de um complemento que ajuda a manter o bom funcionamento do sistema imunológico. Seu uso, no entanto, só deve ser feito com orientação médica. Cientistas afirmam, contudo, que nenhum produto é capaz de aumentar a imunidade do organismo e que é possível obter a quantidade suficiente desse mineral pela alimentação.
Os testes com esses medicamentos usaram dosagens até mesmo maiores e por mais tempo do que a recomendada na publicação, em pacientes leves e graves com o novo coronavírus. A conclusão foi a mesma em todas as situações, descartando a eficácia desses remédios.
Uma das principais pesquisas, feita por brasileiros, foi publicada em 23 de julho no New England Journal of Medicine. Os participantes com Covid-19 de 55 hospitais foram divididos em três grupos. O primeiro, com 221 pessoas, recebeu 400 miligramas de hidroxicloroquina duas vezes ao dia por sete dias. O segundo, com 217 integrantes, foi tratado com 400 miligramas de hidroxicloroquina duas vezes por dia e com 500 miligramas de azitromicina uma vez por dia, também durante sete dias. O terceiro grupo, com 229 pessoas, não tomou nenhuma droga. A taxa de mortalidade ficou em 3% nos três grupos, demonstrando que os remédios não trouxeram nenhum benefício.
Outra pesquisa, feita para identificar se a hidroxicloroquina poderia ser usada de modo preventivo, chegou a conclusões muito semelhantes. Publicada em 3 de junho no The New England Journal of Medicine, a análise também usou dois grupos, sendo que ambos tinham risco moderado ou alto de exposição à Covid-19. Um deles tomou 800 miligramas de hidroxicloroquina numa primeira dose, 600 miligramas após seis a oito horas e 600 miligramas por dia durante quatro dias adicionais. O outro recebeu placebo. O resultado foi que a hidroxicloroquina não conseguiu evitar infecções pelo novo coronavírus.
Conteúdo de fact-checking do Pipeify.

Carolina Pinheiro

Pipeify


fonte:msn


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