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sexta-feira, 16 de outubro de 2020

 

Após ter câncer de mama duas vezes antes dos 30, empreendedora usa internet para falar sobre doença

Linda Rojas também aproveita para dar palestras na tentativa de disseminar informações e ajudar outras mulheres

Naty Falla

Linda Rojas também aproveita para dar palestras na tentativa de disseminar informações e ajudar outras mulheres
Linda Rojas é criadora do blog 'Uma Linda Janela' - Arquivo Pessoal

“Eu tinha 24 anos, em 2012, e senti o nódulo quando estava em um momento bastante especial da minha vida, quando me preparava para fazer uma viagem romântica com o meu então namorado, Caio, que hoje é o meu marido. Arrumava justamente as malas quando esbarrei a minha mão no seio e senti a presença de um relevo grande. Na hora fiz o autoexame, da forma como via na TV, e percebi uma espécie de pedrinha. Acabei indo viajar, mas corri ao posto procurar um mastologista quando voltei”, relembra a empreendedora social Linda Rojas em entrevista à AnaMaria Digital.

Como o câncer de mama, estatisticamente falando, costuma ser mais associado a mulheres acima dos 60 anos de idade, apesar de ter presença também em outras faixas etárias, a primeira médica que examinou Linda descartou a presença do câncer.  De acordo com a profissional de saúde, o problema poderia estar ligado ao anticoncepcional que Linda tomava. Apesar disso, sugeriu alguns exames. 

Com as guias para fazer em mãos, ela confessa ter ficado tentada a jogá-los na gaveta e seguir a vida normalmente, acreditando que estava bem. “A forma como a médica falou comigo me deixou em paz. Até acabei falando para todo mundo que estava bem, mas sei que deveria ter feito o exame imediatamente”, analisa. 

No entanto, depois de um tempo, sua sogra a alertou que era preciso procurar uma segunda opinião médica. “Fui em outro profissional, que concordou que poderia ser algo leve, mas não descartou a possibilidade do câncer. Após uma bateria de exames, constatou-se a presença do nódulo”, detalha.

APESAR DE JOVEM, DOENTE
Linda diz que receber o diagnóstico de câncer de mama foi um susto grande, ainda mais pela falta de conhecimento que ela tinha sobre a doença. “Foi um choque imenso tanto para mim, quanto para família e amigos. Ninguém espera essa notícia em plena juventude. Nessa idade nós esperamos viver tanto, completar novos ciclos e projetos. Então vem o baque da doença... foi difícil naquele momento. Não sabia o que fazer a partir dali, justamente por não saber muito com o que estava lidando”, conta.

O que ela não imaginava é que teria uma nova provação aos 29 anos. Isso porque, após passar por todo o tratamento indicado durante aqueles cinco anos, e justamente no mês em que receberia alta, Linda precisou lidar novamente com o câncer.  “Tive a recidiva [volta da doença] na mesma mama, o que também é surpreendente para alguém novo. Confesso que foi um baque mais doloroso do que na primeira vez”, relembra.

Infelizmente, apesar de ser rara, essa possibilidade existe. De acordo com o mastologista Alexandre Pupo, do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo (SP), mesmo quando a paciente faz todo o tratamento corretamente, existe uma probabilidade de 4% a 7% de recidiva da doença. “Consideramos um risco baixo, mas acontece”, ressalta. 

Linda diz que a doença em si nem foi tão agressiva, mas afetou bastante seu emocional. “Pensei que a vida estava me traindo. A ideia de ter que passar por todo sofrimento de novo me deixou angustiada demais. Eu já estava cansada”, conta.






 Arquivo Pessoal


UMA NOVA VISÃO
Atualmente, Linda vê a situação como um aprendizado. “Passei a valorizar as pequenas coisas, que continuam acontecendo na vida, apesar de uma má notícia. Sei que é muito complicado enxergar isso quando estamos imersos no problema, mas aos poucos a gente consegue mudar o foco, pegar os aprendizados. Hoje quando os efeitos colaterais estão fracos, por exemplo, já é uma grande vitória”, diz. 

Linda precisa tomar medicação novamente por mais cinco anos, o que trouxe efeitos colaterais diferentes. “Mudou o remédio da primeira vez. Agora consiste em uma injeção mensal na barriga, que causa uma menopausa precoce. Passei a sentir ondas de calor, perda de massa óssea e muscular, além de dor nas articulações. No entanto, quando alinhado com algumas atividades físicas indicadas, esses sintomas diminuem”, detalha. 

Além disso, o segundo diagnóstico veio em 2017, quando ela já havia criado o blog “Uma Linda Janela”, que acumula quase 20 mil seguidores nas redes sociais, o que a ajudou a enxergar a doença de uma forma mais leve, graças ao apoio dos seguidores. “O mais belo para mim, é essa forma de conexão com as outras mulheres, com outras vidas. Me emocionei muito durante todo o processo e ainda tenho meus momentos de emoção. É uma grande rede de apoio”. 

Linda também transformou sua jornada na palestra motivacional e de conscientização nomeada "Pequenas Felicidades". Sua mensagem de superação e seus aprendizados já foram levados para dezenas de empresas, marcas e instituições de diversos segmentos. 

AUTOEXAME NÃO É DIAGNÓSTICO PRECOCE
Outubro é o mês escolhido para a campanha de conscientização sobre o câncer de mama, justamente para alertar o mundo sobre a importância da prevenção. “Uma questão que acontece muito é o foco no autoexame, que é importante, mas não é uma forma de diagnóstico precoce como muita gente acredita”, pontua o mastologista Alexandre Pupo.

“Ele tem a finalidade de lembrar às mulheres sobre a importância de se conhecer e não negligenciar a saúde das mamas, mas o autoexame só vai detectar o câncer quando já está em um nível mais avançado”, explica. Segundo o médico, o mais indicado é fazer o acompanhamento médico de rotina com o seu ginecologista para um diagnóstico precoce. “Não podemos descartá-lo, mas sozinho ele não é sinônimo de detecção imediata da doença.” 

FIQUE ATENTA
Pupo ressalta ainda a importância de ficar de olho em outros sintomas, além da presença do nódulo em si. Procure um médico se apresentar mudanças sutis, como:

  • Saída de secreção do bico do peito, com um aspecto de sangue ou até mesmo um líquido transparente;
  • Retração da pele das mamas, especialmente se o mamilo se apresentar invertido

Apesar do medo do diagnóstico sempre existir, é preciso entender que, quanto mais rápida a detecção da doença, maiores as chances de cura. “Antes de mais nada, somos responsáveis pela nossa saúde. É preciso entender esse amor e ter a coragem de realizar o exame e encará-lo, caso seja positivo. O medo e a insegurança vão surgir, mas é preciso dar a cara a tapa e buscar o diagnóstico precoce. Existem tratamentos cada vez mais avançados hoje em dia”, aconselha Linda Rojas. 

PREVENÇÃO




Ilustração via CANVA

Conteúdo:Revista Ana Maria

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