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segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Carlos: “o saxofone foi meu parceiro em casa”

Arquivo pessoal

Enfermeiro conta como enfrentou a Covid, junto com a noiva e o pai, que também atuam na linha de frente
PRUDENTE - ROBERTO KAWASAKI de O Imparcial de Presidente Prudente
“Em meio ao mar, confiarei [...] Tua graça cobre os meus temores, Tua forte mão me guiará. Se estou cercado pelo medo, Tu és fiel, nunca vais falhar”. É com esse trecho da canção gospel “Oceanos”, na voz de Ana Nóbrega, que a reportagem conta a história do enfermeiro Carlos Daves Dinallo de Sousa, 35 anos. O morador de Pirapozinho, que trabalha no Pronto-Atendimento Municipal, passou por dias difíceis ao ser vitimado pelo novo coronavírus, no final de junho.
Além de lutar pela recuperação para voltar a salvar vidas, preocupou-se com a saúde do pai, Divino, e da noiva Raquel, que também atuam na linha de frente e foram vítimas da Covid-19. “Nunca tive medo da pandemia, e eu sabia que não ia poder dar as costas para minha equipe nesse momento crítico”, afirma Carlos. “Quem me conhece sabe o quanto amo meu trabalho. Os dias de isolamento foram terríveis, uma sensação de impotência, fiquei com medo sim de agravar meu quadro, pelo fato de ver tantas mortes no noticiário”, afirma.
Sabe a canção mencionada no começo da reportagem? Ela teve um papel importante na recuperação do enfermeiro. “O saxofone foi meu parceiro em casa”, lembra. Apaixonado pela boa música, dividiu o som ao lado daqueles que estavam com ele para dar forças. Apesar de ele e a família terem sido diagnosticados com sintomas leves da doença, os cuidados foram essenciais para o retorno às unidades de saúde. “Meu pai trabalha comigo, ele é auxiliar de enfermagem. Já Raquel atua em Presidente Prudente, e não tivemos nenhum agravamento”.
Meditação na espiritualidade
Mesmo que pareça uma atitude complicada na vivência da pandemia da Covid-19, manter a calma faz toda a diferença, ainda mais, se aliada à espiritualidade. Toda aquela angústia vai embora! Como afirma o enfermeiro: “a fé no meu Deus fez com que em nunca me sentisse só”. Carlos aproveitou a oportunidade para deixar uma mensagem para aqueles que passam por momentos difíceis, principalmente, pelo novo coronavírus.
“Não percam a esperança. Às vezes, passamos por essa dificuldade para saber o quanto nossa família faz falta. Que possamos dar valor às coisas tão simples quanto o abraço e o aperto de mão”, lembra. “Meus sentimentos a todos que perderam algum familiar querido, e deixo aqui, como profissional de saúde, meus sinceros votos de que dias melhores virão”.

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