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quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Em dois anos, mais de 54,6 toneladas de drogas são apreendidas na circunscrição do CPI-8

Foto: Polícia Federal/Cedida
'Área oito' lidera o comparativo entre os comandos policiais do Estado de São Paulo no número de eventos relacionados ao tráfico de entorpecentes.
Por Stephanie Fonseca, G1 Presidente Prudente
A área compreendida pelo Comando de Policiamento do Interior (CPI-8), região de Presidente Prudente, foi a que mais registrou grandes apreensões de drogas no Estado de São Paulo, no biênio 2018 e 2019. Dentro desse contexto, a área que abrange a região de Presidente Venceslau lidera as ocorrências por batalhões. O dado, referente a ocorrências nas rodovias estaduais, compõe um estudo disponibilizado ao G1 pelo Centro de Altos Estudos de Segurança (Caes) da Polícia Militar.
O biênio compreende o período entre 1º de janeiro de 2018 e 31 de dezembro de 2019.
Na dissertação produzida pelo capitão PM Helder Bezerra Camatari, a ser publicada neste ano internamente pela corporação, foi revelado, após levantamento junto ao Centro de Inteligência da Polícia Militar, que no comparativo por área de grande comando, o CPI-8 lidera a lista de quantidade de eventos de apreensões de drogas com o percentual de 39,03%.
Na sequência estão o CPI-4, com sede em Bauru, o CPI-7 (Sorocaba), o CPI-10 (Araçatuba) e o CPI-5 (São José do Rio Preto).
Quando se fala em quantidade absoluta de drogas, são mais de 54,6 toneladas apreendidas na circunscrição do CPI-8.
Região de Presidente Venceslau
Ainda de acordo com o estudo do oficial da Polícia Militar, o Oeste Paulista também lidera os índices do biênio 2018/2019 no comparativo de apreensões de drogas entre batalhões.
A região do 42º BPM/I, com sede em Presidente Venceslau, registrou 33,18% das apreensões de entorpecentes; na sequência está o 18º batalhão do interior, que tem sede em Presidente Prudente, seguidos dos batalhões com sedes em Araçatuba, Assis, São José do Rio Preto e Bauru.
Com o percentual de 36,40%, a Rodovia Raposo Tavares (SP-270) lidera o quesito locais das grandes apreensões de entorpecentes (acima de 5 quilos) e quantidade de ocorrências.
Conforme dissertado por Camatari, oficial que atua na área do 42º BPM/I, a Rodovia Raposo Tavares percorre uma extensão de 39,22 quilômetros dentro da circunscrição do batalhão sediado em Presidente Venceslau e é uma “porta de entrada” do estado de São Paulo para o tráfego de veículos vindos do estado do Mato Grosso do Sul.
Na sequência estão as rodovias:
Marechal Cândido Rondon (14,80%)
Presidente Castelo Branco (12%)
Assis Chateaubriand (9%)
Washington Luís (8,40%)
Comandante João Ribeiro de Barros (5,80%)
Arlindo Béttio (4,20%)
Engenheiro João Batista Cabral Rennó (2,60%)
Euclides de Oliveira Figueiredo (2,40%)
Anhanguera (2,20%)
Miguel Jubran (2,20%)
No período compreendido entre 1º de janeiro de 2018 e 31 de dezembro de 2019, nas rodovias paulistas, foram apreendidos o total de 152.437,367 quilos de maconha, 12.704,228 kg de cocaína, 190,069 kg de crack e 118,371 kg de haxixe.
Os municípios do Centro-oeste Paulista que concentraram as maiores quantidades de incidências de apreensões de drogas em rodovias, durante o último biênio:
Presidente Venceslau (27,31%)
Presidente Epitácio (12,05%)
Assis (10,44%)
Araçatuba (10,44%)
Bauru (8,03%)
Avaré (7,63%)
São José do Rio Preto (7,23%)
Santa Cruz do Rio Pardo (6,02%)
Rosana (5,62%)
Presidente Prudente (5,22%)
Ao G1, o capitão Camatari, autor da dissertação, explicou que o fato de a região liderar o “ranking” de apreensões de drogas precisa ser entendido basicamente sob dois aspectos.
O primeiro é que os números estão vinculados à "localização estratégica", pois “o 42° Batalhão do Interior e a área do CPI-8 estão situados exatamente na embocadura da conhecida 'Rota Caipira' do tráfico de drogas, para o estado de São Paulo”.
“Devido a essa localização estratégica, o maior volume de drogas que adentra ao estado, percorre nossa área de atuação, favorecendo essas apreensões”, esclareceu.
O segundo aspecto, conforme Camatari, reflete o comprometimento dos policiais militares com a causa pública. “Sem a iniciativa e proatividade deles, esses resultados não seriam alcançados”, disse ao G1.
“Sob esse diapasão, posso afirmar que a liderança nas apreensões de drogas é algo positivo, porque, além de externar a motivação e o comprometimento dos policiais militares, combatemos duramente o tráfico de drogas, prendendo criminosos e retirando de circulação uma grande quantidade de entorpecentes que abastece o estado de São Paulo, outros estados e até países da Europa e África”, afirmou o oficial.
Também por questão de localidade geográfica está o fato das apreensões estarem concentradas em Presidente Venceslau e em Presidente Epitácio. São “os primeiros municípios do estado de São Paulo que recebem o fluxo de veículos, pessoas e bens oriundos do estado do Mato Grosso do Sul, Paraguai e Bolívia, além de possuírem infraestrutura adequada para a atuação policial, propiciam condições para que as grandes apreensões ocorram nessas localidades”.
O capitão lembrou que as drogas ilícitas, e até algumas lícitas, como o álcool, por exemplo, exercem “um efeito nefasto e devastador à saúde humana”.
“Além disso, pessoas viciadas em drogas, muitas vezes desagregam o núcleo familiar e social onde coabitam, ocasionando danos emocionais, psíquicos, econômicos e sociais, gerando impactos na segurança pública”, afirmou.
Ainda foi salientado por Camatari que “o tráfico de drogas é hoje uma das maiores fontes de capital das organizações criminosas". "Devido a essa atividade ilegal altamente lucrativa, organizações criminosas, facções e bandos compram armas de guerra para estabelecerem o seu poder em determinadas regiões, para promoverem assaltos a bancos e empresas de valor, para financiarem outros tipos de crimes e corromperem autoridades”, colocou.
“O tráfico de drogas, inegavelmente, trás grandes problemas para a segurança pública, e o seu combate é necessário”, ressaltou ao G1.
O oficial lembrou ao G1 que grande parte dessas apreensões é realizada Policiamento Rodoviário e que boa parte também é fruto de trabalhos de investigação policial, do serviço de inteligência e de informações.
Ainda foi citado por Camatari que a criação do 8° Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) na região de Presidente Prudente, em 2019, com uma companhia destacada e localizada em Pres. Venceslau, "foi um fator agregador e relevante na questão do combate ao tráfico de drogas".
“Faço questão de salientar o comprometimento de nossos policiais que se arriscam diuturnamente no combate à criminalidade, e imbuídos de lealdade e constância, dão o melhor de si para a manutenção da lei e da ordem”, finalizou ao G1 o oficial.
Rodovias
Dentro da “área oito” da Polícia Militar, que é o Oeste Paulista, estão várias modalidades de policiamento, entre elas o Rodoviário, que atende mais de 1,4 mil quilômetros de rodovias estaduais nas regiões de Presidente Prudente, Dracena e Presidente Venceslau, e responsável por várias das grandes apreensões de drogas.
No período destacado pela pesquisa, 42.341,680 quilos de entorpecentes foram apreendidos pela Polícia Militar Rodoviária em estradas da região de Presidente Prudente:
2018 – 17.434,640 kg
2019 – 24.907,040 kg
“Elo”
O G1 conversou com o tenente PM Daniel Martins, comandante interino da Polícia Rodoviária, em Presidente Prudente, que também ressaltou a proximidade com as divisas de estado e, consequentemente, países conhecidamente são grandes produtores de drogas, como Bolívia e Paraguai, o que facilita as apreensões.
“A nossa região é como um elo para as grandes capitais, como por exemplo, São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, até mesmo Curitiba. A maioria dos condutores que vão para essas regiões necessitam passar por aqui”, declarou.
Martins também elencou a importância das estradas da região. Segundo ele, “são boas rodovias e são artérias que irrigam”.
“Por exemplo, a Rodovia Assis Chateaubriand interliga o Paraná, Minas Gerais, a Rodovia Raposo Tavares interliga o Mato Grosso do Sul até a capital paulista. Então, nós temos rodovias de grande importância para o estado de São Paulo e que perpassam a nossa região; daí se ela utilizada para fins lícitos, infelizmente também são usadas com fins ilícitos, e a gente tem de estar atento para isso”, explicou ao G1.
O alto índice, para o tenente Daniel, é positivo para a corporação, pois evidencia o trabalho e atenção e proteção da região oeste do estado.
“Estamos fazendo o melhor com o que nós temos à disposição, nosso melhor efetivo, nossa melhor viatura pra que a gente possa cada vez mais descobrir qual que é a faceta do crime; o traficante não tem muita ‘cara’, mas a modalidade do crime sim, por isso que a cada dia mais nós nos atualizamos, nos aperfeiçoamos pra que a gente encontre cada vez mais onde está escondida [a droga], como eles trazem, e tudo pra que a gente possa realizar cada vez mais recordes de apreensões”, salientou ao G1.
O tenente ainda acrescentou que é positivo ocorrer a prisão dos traficantes presos logo no início do trecho, entre Presidente Epitácio, Presidente Venceslau e Rosana.
“Se nós não mobilizarmos esforços para pegar logo no começo do estado, ele [traficante] pode pegar qualquer outra cidade grande aqui na região e talvez pegar um caminho alternativo, tudo pra poder tentar surpreender a ação policial. Por isso fiscalizamos na entrada do estado, para não dar opções a esses traficantes quererem mudar a rota e enganar o trabalho da polícia”, explicou.
As maiores apreensões envolvem caminhões, que suportam maior carga. Uma delas – a de maior destaque, inclusive – foi em setembro de 2019, quando mais de 11 toneladas de maconha, a maior apreensão do Estado de São Paulo e da história do policiamento rodoviário de Presidente Prudente. A droga era transportada em uma carreta, em meio a uma carga de soja, e foi abordada na Rodovia Olímpio Ferreira da Silva (SP-272), em Mirante do Paranapanema.
Os ônibus também estão envolvidos em várias ocorrências, pois sempre tem algum passageiro com drogas, segundo o oficial, mas em quantidades menores.
“Nós moramos aqui também, nós queremos uma região segura, nós queremos uma região oeste do estado de São Paulo livre do tráfico de drogas, claro que isso é um tanto quanto utópico, mas nós queremos realmente que criminosos passem por aqui e sejam surpreendidos pelo trabalho da polícia, sejam pegos em flagrante com esse transporte de drogas, que pode não ser para a nossa região, mas o poder destrutivo que tem a droga no meio das famílias ainda é muito grande, e não queremos nenhuma grama de droga destruindo famílias, então por isso que trabalhamos fazendo nosso melhor a cada dia, com eficiência, perspicácia policial, sempre mudando a dinâmica, sabendo que o crime é dinâmico, então precisamos entender essa dinamicidade dele”, explicou ao G1 o tenente.
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