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sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Inflação maior? Mais dinheiro circulando é causa muito importante

 

A inflação aumentou bastante com a chegada da covid-19 e seus desdobramentos. O boletim semanal Focus, do Banco Central (BC), com previsões de analistas do mercado financeiro, mostrou na última sexta que a inflação vem crescendo há 12 semanas, e sua previsão para o IPCA de 2020 foi de 3,02%. Em 5/6/2020 a previsão era de 1,53%, e havia caído desde o início do ano.

Outro índice do Focus, o IGP-M, agrega três índices. Com suas participações, são eles o Índice de Preços ao Produtor, Amplo (60%), de produtos agropecuários e industriais, o Índice de Preços ao Consumidor (30%) e o Índice Nacional de Custo de Construção (10%). Pelo boletim do BC da sexta passada, o IGP-M vem subindo há 16 semanas, e desta vez a previsão para a anual de 2020 subiu para 20,23% (!). No Focus de 5/6/2020 a previsão era de 5,21%, e já havia começado a subir. O IGP-M é muito afetado pela taxa de câmbio e a nossa moeda se desvalorizou bastante neste ano.

Em geral, análises do aumento da inflação em 2020 vêm enfatizando três aspectos nele presentes. Os dois primeiros são o forte aumento dos preços de alimentos, como o arroz e o óleo de soja, e de preços industriais, atribuído a uma escassez de insumos utilizados pelo setor. O terceiro é a taxa de câmbio, conforme já mencionado.

Contudo a inflação é um fenômeno macroeconômico complexo em suas origens e na sua dinâmica. Usualmente se distingue uma inflação de custos, como a dos aspectos citados, mas cabe explicar por que tais custos aumentaram. E há a inflação de demanda, que pode ocorrer, por exemplo, quando um banco central amplia consideravelmente a oferta monetária e/ou é adotada uma política fiscal expansionista, particularmente se focar no consumo, e não em investimentos. Essas duas fontes de inflação podem atuar em conjunto.

 

No que se segue, focarei na inflação de demanda, que tem recebido atenção muito escassa, mas vejo como muito importante, em razão de dois aspectos, o lado fiscal da política macroeconômica governamental e o lado monetário e creditício da mesma política.


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