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domingo, 22 de novembro de 2020

Riscos de demência e Alzheimer podem aumentar com prática de futebol

 


Aest/iStock

O neurocientista William Stewart, 50, já se acostumou com a acusação de que pretende arruinar o futebol. Ele também passou a ser cada vez mais procurado quando casos de ex-jogadores com demência ou Alzheimer vem à tona. No começo deste mês, isso aconteceu várias vezes.

Casos de demência ou Alzheimer associados ao futebol não são isolados, mas comuns 

No dia 1º, foi anunciado que Bobby Charlton, 83, o maior jogador inglês da história, tem demência. Nobby Stiles havia morrido 48 horas antes, vítima de complicações causadas pelo mesmo mal. Ambos foram integrantes da seleção campeã mundial de 1966.

No dia 2, Uschi Muller, mulher de Gerd Muller, 75, vencedor da Copa de 1974 com a Alemanha, disse que o marido está 'fazendo sua passagem enquanto dorme'. De acordo com ela, o ex-jogador sofre de demência senil e passa quase todas as horas do dia na cama.

'Está comprovado que jogadores de futebol são 3,5 vezes mais propensos a ter demência do que a população em geral. A probabilidade de Azheimer é cinco vezes mais alta. Doenças motoras são quatro vezes mais prováveis', afirma à reportagem Stewart, professor do Instituto de Neurociência e Psicologia da Universidade de Glasgow, na Escócia.

Ele pesquisa os efeitos de repetidas batidas na cabeça em atletas de futebol e rúgbi há 18 anos.

O primeiro caso estudado foi o de Jeff Astle, atacante de seleção inglesa na Copa de 1970 e maior artilheiro da história do West Bromwich Albion, com 174 gols. Astle morreu em 2002, aos 59 anos, de doença degenerativa no cérebro causada, segundo a autópsia, por repetidos traumas.

'Meu pai atuou em uma Copa do Mundo e morreu sem se lembrar ter sido jogador de futebol', disse a sua filha, Dawn.

Na última semana, Geoff Hurst, autor de três gols na final do Mundial de 1966, disse que após sua morte permitirá estudos sobre seu cérebro para pesquisar sinais de demência.

'Os atletas do passado e os atuais nunca foram olhados em um microscópio nessa questão de lesões na cabeça, da encefalopatia traumática crônicas, dos repetidos choques. Talvez porque na NFL (liga de futebol americano) e no rúgbi, a força dos choques seja mais evidente. No futebol é algo mais insidioso, lento. Não se percebe', completa o neurocientista.

Segundo os estudos dele, os riscos são tão elevados para jogadores de futebol quanto de rúgbi.

Stewart já ouviu várias vezes que o problema de fato existiu, mas ficou no passado, com a mudança no material de jogo. As repetidas cabeçadas com bolas de couro que, em dias de chuva se tornavam ainda mais pesadas, causaram problemas em tantos jogadores que não há uma estatística confiável.

Exame realizado após a sua morte revelou que Bellini, capitão da seleção brasileira na Copa de 1958, morreu em 2014 de demência causada por encefalopatia traumática crônica.

Julia Monsores - Revista Seleções

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