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sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

 FÁBIA OLIVEIRA

'É possível caminhar na carreira artística e seguir nos negócios', diz Giulia Costa

Atriz resolveu empreender e virou sócia de um restaurante





Dessa Pires
POR O DIA
A pandemia mudou a vida de muita gente, sem sombra de dúvidas. Mas no caso da atriz Giulia Costa, filha de Flávia Alessandra e Marcos Paulo, a quarentena da Covid-19 acabou fazendo a vida dela tomar rumos diferentes. No período do isolamento social, Giulia resolveu a se dedicar principalmente aos estudos, mas a proposta de um amigo caiu em seu colo e ela não resistiu: a de ser sócia em um restaurante. Hoje, Giulia, além de atriz, já pode ser chamada de empresária. Na entrevista baixo, ela conta como surgiu o novo negócio e como ela costuma atuar diante dele. Além disso, revela o que pensa sobre empoderamento feminino, assédio e ainda ressalta a importância de não deixarmos de discutir sobre o meio ambiente. Giulia também fala do falecido pai e entrega detalhes de seu convívio com a mãe famosa e com as irmãs por parte de pai.

Você abriu um restaurante e virou uma mulher de negócios. Como aconteceu isso e por que um restaurante?
No período de isolamento social, minhas ideias fervilhavam. Antes da pandemia, eu estava sempre a mil por hora, a minha cabeça não parava, acho que herdei isso da minha mãe. Aproveitei para estudar. Estudei muito nos dias em que passei em casa. Um dia, um amigo chamado Pedro Vidal me apresentou o projeto do restaurante, que ainda estava no papel. Eu fiquei muito animada com a ideia, afinal sempre amei gastronomia.

Como é a Giulia Costa dona de restaurante? Qual é a sua função ou participação no negócio?
Chega a ser engraçado isso, porque eu não sei bem diferenciar. Sou muito nova, acho que é um pouco por causa disso. Acho que nem a minha ficha chegou a cair totalmente: ‘Giulia, empresária’. Eu fico mais responsável pela divulgação e acabo me ‘metendo’ um pouco no cardápio vegetariano. Apesar disso, todos os sócios se tornaram muito amigos e eu acabo atuando em outras áreas. Estou tendo a chance de aprender, especialmente sobre as questões mais técnicas do negócio. Está sendo uma experiência maravilhosa.

E a carreira de atriz? Você fez ‘Malhação’ bem nova e é filha de atores. Acha que essa é a sua vocação ou pensa em fazer algo diferente?
A carreira de atriz continua. Uma coisa não exclui a outra. Além do meu lado artístico, sempre tive vontade de empreender. Confesso que agora estou muito encantada com o universo que existe por trás das câmeras, motivada pela faculdade que estou cursando, Cinema. Estou ansiosa para começar a estagiar, mas isso depende das produções voltarem aos seus ritmos normais. E eu acho que é possível caminhar com a minha carreira artística e seguir nos negócios. Obviamente que dará mais trabalho e exigirá uma dedicação maior. Mas são coisas que eu sempre tive vontade de fazer. Que me deixam muito feliz. Então não encaro como um sacrifício.

E a sua versão blogueira? Você gosta de cozinhar?
Acho que essa versão blogueira surgiu naturalmente nesses dias de confinamento em casa. Eu gosto de cozinhar, sempre gostei. Mas depois de ter me tornado vegetariana, passei a me dedicar mais à culinária, em especial aos pratos salgados. Eu sempre fiz muito doce, sou uma formiga. Para me virar, agora vegetariana, comecei a me aventurar mais. A minha mãe cozinha muito bem e eu adoro aprender com ela. E eu sinto prazer em dividir isso com as pessoas. Eu sempre digo que a pessoa não precisa ser vegetariana ou vegana, mas também não é necessário comer carne todos os dias e em todas as refeições. Poder oferecer opções acessíveis para as pessoas substituírem uma refeição com carne por uma sem carne é algo que me deixa feliz e estimulada.

Você é vegana e nas suas redes sociais você mostra ser ligada às questões ambientais mais até que posicionamento politico ou empoderamento feminino, por exemplo. Por quê?
Na verdade, sou vegetariana. Ainda não sou vegana. Eu acho que fiquei muito ligada às questões ambientais porque ainda é um assunto muito pouco falado. A gente fala muito de questões sociais – e tem que discutir mesmo – mas as questões ambientais, em especial a crise climática, são urgentes. Já estão acontecendo agora! Não é algo que podemos pensar em remediar, evitar... Já está ocorrendo. Precisamos mudar o mais rápido possível as nossas atitudes. Do jeito que está já se tornou insustentável para o planeta. Eu sempre repito: não temos um planeta B. A nossa ‘casa’ está acabando, está entrando em colapso. E a gente fala muito pouco sobre isso. A nossa política atual está muito fervorosa. A discussão política é tão importante, mas tento evitar entrar nesse embate de ódio. Eu acho que falo bastante sobre empoderamento feminino nas minhas redes e tento ter uma fala que não estimule o conflito ou uma polêmica por si só. Eu gosto de expor a minha opinião e defender o que penso, mas com um discurso mais agregador. Falar sobre o feminismo está sempre nas minhas pautas, porque é um assunto importantíssimo para mim.

O que você admira em uma pessoa e o que você não tolera?
Acho que tenho pavio curto como o meu pai. E também quando a fome bate, meu humor fica um horror. Sugiro ficar longe de mim (risos). A minha irmã, Mariana, fica igualzinho a mim quando está com fome. Da minha mãe, além da aparência, tenho uma agitação natural. Não gosto de ficar parada e se eu pudesse me multiplicava em mil.

Percebe que você teve e ainda tem uma relação muito forte com seu pai? Como é isso? Tem alguma explicação?
Acho que o vínculo com pai e mãe é sempre muito forte. Não sei se é natural, se tem alguma explicação para isso. Eu perdi o meu pai muito cedo. Eu tinha apenas 12 anos. E o tempo voa. Daqui a pouco eu terei a idade que ele tinha quando se foi... Isso dá um nó na cabeça. Tenho a sensação de que cada vez menos tenho fotos com ele e eu fico me perguntando: o que eu vou ter dele? O que eu vou ter com ele? O elo com os pais é especial e forte demais. Apesar do pouco tempo que tive com ele, foram anos maravilhosos e me deixaram lembranças inesquecíveis. Ele sempre será meu pai e o elo é eterno.

O que ainda te falta?
O que me falta? Eu sou muito nova, tenho 20 anos, mas sinto como se não me faltasse nada. Ao mesmo tempo, tenho uma vida inteira pela frente, se Deus quiser. Sou pisciana, muito emotiva e ligada à família. Tenho o sonho de formar a minha família, mais para frente obviamente. Ainda me falta independência, ter minha própria casa e mais domínio da minha vida. Não que eu anseie isso agora. Mas acho que é algo que se busca naturalmente com o passar do tempo. O que me falta é a realização de alguns sonhos, até pela pouca idade. Sei que já conquistei muita coisa e sou grata por isso.

Giulia é uma mulher...
A Giulia é uma mulher intensa! Eu me jogo de cabeça em todas as relações, sejam amorosas, familiares, de amizade ou trabalho. Sou intensa demais e preciso confidenciar que tento trabalhar isso em mim, porque muitas vezes isso não é saudável.

A sua mãe é uma mulher belíssima e dizem que quando isso acontece, a filha sempre sente a pressão de ser comparada, julgada. Já sentiu isso? Já teve ciúmes?
Sim, a minha mãe é linda! Mas essa questão de sempre ser comparada e julgada é mais um motivo que justifica a necessidade do feminismo estar em pauta. As pessoas têm essa mania de comparação, de fomentar a rivalidade feminina. E veja que surreal pensar numa suposta rivalidade entre mãe e filha. Minha mãe é maravilhosa. Minha irmã é linda... Nós temos belezas únicas e diferenciadas, assim como todas as mulheres. Cada uma do seu jeito. Eu sempre lidei muito bem com tudo isso e não consigo imaginar um cenário diferente, em que houvesse ciúme, por exemplo, apesar da imposição social de uma competição. Ela é a minha mãe, a maior representação de carinho e amor da minha vida. Como ter isso com ela? Eu não penso em uma rivalidade com nenhuma outra mulher, muito menos com ela.

Você tem uma relação boa com Otaviano e o que mais importante para você nesta relação?
Ele entrou na minha vida quando eu tinha seis anos. Ele me viu realmente crescer. Ele sempre fez o papel de um outro pai, um segundo pai. As pessoas sempre comentam do meu sobrenome Costa, como se eu tivesse escolhido não amar mais meu pai. Eu sempre explico isso, mas não me canso de falar. Costa é o sobrenome do meu avô materno, uma coincidência ser o mesmo do Otaviano. A minha mãe já tinha Costa antes de conhecer o Otaviano. Mas talvez o mais importante seja o carinho, a admiração e o amor que construímos um pelo outro, em uma relação de pai e filha mesmo.
Como é a sua relação com irmãs por parte de pai? Essa polêmica envolvendo disputa de herança te incomoda principalmente por ter se tornado pública?
A minha relação com as minhas irmãs é ótima. A mais velha é a Vanessa. Ela não mora aqui no Rio e por isso não temos muita proximidade física. A Mariana mora no Rio e me deu meus sobrinhos. Eu tinha apenas 12 anos quando ele partiu. Foi difícil lidar com essa perda.

Como era a relação com a ex-mulher do seu pai e como está hoje?
No período em que eles namoraram, eu era bem novinha. Ela me tratava bem e eu também. Tínhamos uma relação de respeito recíproco.

Se fosse escolher uma personagem da sua mãe para fazer em um remake, qual seria e por quê?
Ai, é difícil isso... talvez a gente volte na questão da comparação, novamente. Eu e minha mãe somos diferentes, apesar das pessoas verem tantas semelhanças. Sou mais morena do que ela e ela é loira – apesar de eu estar com o cabelo mais claro agora. Mas nossas personalidades são distintas. Não sei se um dia eu faria um papel dela. Não sei mesmo! Difícil pensar nesta resposta. Mas eu tenho as minhas personagens favoritas na carreira dela. Uma delas é a Cristina, que eu defendia com unhas e dentes na escola (risos). E a Vanessa, de ‘Pé na Jaca, que eu amava. A terceira talvez seja a Daphne, eu amava a macaca que pintava na novela. Não perdia um capítulo.

O seu maior medo é...
O meu maior medo é perder alguém da minha família. Talvez por ter muita ligação com eles e por ter perdido meu pai muito cedo, me tornei protetora e preocupada em relação a isso. Seja com minha mãe, Tiano (Otaviano), irmãs, avós, tios... Sou muito apegada, incluindo meu cachorros. Tenho certeza de que o meu grande medo é perder alguém da minha família. Só de falar, já fico nervosa.

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