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terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Covid-19: Chegada da vacina trouxe alívio, mas também noção equivocada de que o pior já passou

 

© REUTERS - THOMAS PETER

Há um ano morria a primeira vítima (registrada) de Covid-19 em Wuhan, na China. De lá pra cá, tudo o que aconteceu era impossível de prever. Os Estados Unidos acabaram sofrendo mais do que qualquer outro país, vendo a doença  não só atormentando a sociedade com milhares de mortes diárias, mas também observando que a China passou a equilibrar a disputa por influência global.

A Covid-19 entra no ano 2021 mais forte do que nunca. Ao longo de 2020 vimos o presidente Donald Trump, além de governantes estaduais, cravarem semanalmente que o problema estaria próximo do fim. O otimismo não funciona com pandemias. O que funciona é planejamento, sacrifício, gastos e, acima de tudo, pesquisas científicas.

Apenas a ciência derrota a Covid-19, assim como com todas as pandemias passadas. Os Estados Unidos sofreram incessantemente ao longo de 2020 com uma pandemia que, infelizmente, para muita gente, acabou sendo normalizada.

caótica política americana de 2020, além de paranóias em relação à conspirações relacionadas ao virus, prejudicaram fortemente a educação da população para melhor se prevenir. Quando chegamos em janeiro de 2021 com um número de mortes diárias superiores a 3 mil, vimos que nenhum otimismo, nenhuma diminuição ou relativização do poderio devassador da Covid-19 colaboram com o controle da transmissão.

Os EUA vivem uma tragédia sanitária que em um ano já matou mais americanos do que a II Guerra Mundial. No entanto, diferentemente da II Grande Guerra, onde honras militares aos mortos eram justamente concedidas, durante a pandemia o que vemos é a busca pela "normalização" de mortes, principalmente por aqueles que se furtam do cuidado básico: o uso de máscaras.

A Covid-19 trouxe um impacto sanitário, social - sendo inclusive politizado, tendo a máscara como um bizarro símbolo de posicionamento político em alguns estados, político, geopolítico e econômico. O volume de pacotes econômicos aprovados pelo governo foi superior a US$ 3 trilhões e colaborou para que a economia americana não entrasse em colapso.

Embates dos EUA com a China

Tanto na economia, quanto na geopolítica, a Covid-19 teve um papel preponderante na postura adotada pelo governo Trump em relação à China. Várias vertentes ilustraram os embates entre as duas superpotências da atualidade: busca por equilíbrio econômico, disputas por influências geopolíticas a partir do comércio e de linhas de financiamento, confrontos na frente tecnológica, mirando a propriedade intelectual como ponto central e a origem da Covid-19, a responsabilidade da China na contenção do vírus e como isso causou caos em um ano que entrará para a história.

A pandemia afastou americanos uns dos outros, assim como a polarização política. Mesmo com várias vacinas disponíveis, o ano ainda promete ser bastante difícil. O sentimento de alívio com a chegada da vacina também provocou na população a sensação de que o pior já passou. Errado. O pior está acontecendo e ainda acontecerá por muitos meses, até que todos sejam vacinados.

*Thiago de Aragão é analista político e faz crônicas para a RFI Brasil todas as segundas-feiras

Thiago de Aragão, de Washigton*

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