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terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Estudos atestam eficácia da Coronavac

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Foto: Freepik

Resultado clínico realizado no Brasil garante proteção total a casos moderados e graves de Covid-19; imunizante fabricado pelo Butantan ainda aponta 78% de eficiência contra casos leves
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Recentemente, o governo do Estado de São Paulo anunciou que, conforme estudo clínico realizado no Brasil, a Coronavac desenvolvida pelo Instituto Butantan, em parceria com a biofarmacêutica Sinovac Life Science, garante proteção total a casos moderados e graves de Covid-19. Além disso, o imunizante aponta 78% de eficiência contra casos leves. Agora, o instituto deu início à solicitação do registro emergencial da vacina junto à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), para que rapidamente seja iniciada a imunização dos brasileiros contra o novo coronavírus. A reportagem conversou com dois médicos infectologistas sobre a eficácia do imunizante e com a população a fim de saber se irão se imunizar com a vacina.
Conforme o governo do Estado, entre os imunizados ao longo dos testes clínicos e que contraíram o vírus, nenhum apresentou caso grave ou moderado da doença e nem precisou de internação. “Quem tomar a vacina do Butantan estará com a saúde protegida e chances mínimas de agravamento da Covid-19”, explicou o governo.
A taxa de eficácia também foi de 78% para os infectados que apresentaram casos leves ou precisaram de atendimento ambulatorial. Isso significa, segundo o Estado, que a cada 100 voluntários que contraíram o vírus, 22 tiveram apenas sintomas leves, mas sem a necessidade de internação hospitalar. O estudo clínico realizado no Brasil contou com a participação de 12,4 mil profissionais de saúde voluntários em 16 centros de pesquisa.
Análise da eficácia
O médico infectologista André Luiz Pirajá da Silva avalia o resultado do estudo como uma boa notícia. “Uma vacina com eficácia de 78% nos casos leves a moderados e 100% nos casos graves – para quem não entende isso – a cada 100 pessoas imunizadas, 78% não terão a doença, e aquelas que tiverem [22%], para nenhuma delas haverá necessidade de internação. Ou seja, é uma vacina boa e de qualidade”, explica.
O início da imunização, a partir da aprovação da Anvisa, vai ser essencial e precisará ser feita em larga escala de pessoas, explica o infectologista. Segundo ele, há uma margem de segurança, ou seja, a cada 100 pessoas, 22 terão a doença de forma leve que, consequentemente, diminuirá a transmissibilidade, os óbitos e complicações do novo coronavírus.
O médico infectologista Luiz Euribel Prestes Carneiro, doutor em Imunologia pela USP (Universidade de São Paulo), por sua vez, explica que os dados totais ainda não foram divulgados, mas o fato de se mostrar eficiente em 100% na redução de morte em casos graves, moderados e internações hospitalares, são animadores. “Esse é o objetivo de outras vacinas como para o vírus influenza e da meningite, evitar que as pessoas morram”, reforça.
As vacinas, segundo o médico, foram certamente uma das maiores conquistas da humanidade, e um dos principais fatores para a longevidade das pessoas. Por isso, descreve que quanto mais pessoas imunizadas, seja naturalmente pela infecção, quanto pela vacinação, menor será a circulação do vírus. “Além disso, de cada 100 pessoas infectadas, cinco vão precisar de UTI [Unidade de Terapia Intensiva] e três irão a óbito. Se pessoas vacinadas não se infectarem, haverá redução de mortes”, enfatiza.
Confiança nos resultados
Sobre a importância das pessoas confiarem nos resultados dos estudos clínicos e na vacina em questão, Pirajá acrescenta que trata-se de uma vacina brasileira, que o Instituto Butantan tem a sua credibilidade há anos no Brasil, e que é necessário entender que a maioria dos insumos e os maiores estudos em doenças infectocontagiosas vêm tanto da China, quanto da Índia. “Parece até um pouco contraditório, mas os melhores e maiores estudos, e os maiores e melhores insumos partem de lá. Então, é uma vacina com participação nacional, é uma vacina imunizante que possui uma alta eficácia e uma boa defesa ou margem para que a pessoa não tenha complicações e, consequentemente, a necessidade de hospitalização”, acrescenta.
O médico infectologista Luiz Euribel ressalta que parece que somente agora o Brasil descobriu o Instituto Butantan, que existe há décadas e produz grande parte das vacinas utilizadas no calendário nacional de imunização, além de ser um dos melhores do mundo. “Um grande número de cientistas brasileiros da maior credibilidade está empenhado na produção da Coronavac, isso deve ser valorizado e temos que confiar em nossos cientistas. O Brasil é o único país da América do Sul capaz de produzir a vacina para a Covid-19”, destaca.

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