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10/02/21

Não há registro de uma pesquisa em que o governador de São Paulo tivesse 98% de rejeição

 


Publicações que afirmam que o governador de São Paulo, João Doria, é rejeitado por 98% da população somaram mais de 15,3 mil interações nas redes sociais ao menos desde abril de 2020. Apesar disso, não há qualquer registro de uma pesquisa com esse resultado relacionada a Doria. Análises de institutos como Ibope e Datafolha mostram a rejeição do governador consideravelmente distante dos 98%.

“Doria já e rejeitado por 98% da população. Se você também rejeita compartilhe”, diz o texto sobreposto a uma imagem do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), em postagens no Facebook (123) que circulam ao menos desde abril de 2020, que também foram encontradas no Instagram (123) e no Twitter (12).

Captura de tela feita em 8 de fevereiro de 2021 de uma publicação no Instagram

Uma busca no Google pelos termos “Doria + 98% + rejeição”, contudo, não levou a nenhuma ocorrência de uma pesquisa com esse resultado ou a publicações na imprensa de um levantamento que tivesse tido um percentual tão alto.

Ibope e Datafolha

Uma segunda pesquisa, feita no site do instituto de pesquisa Datafolha, pelo termo “João Doria” e selecionando o intervalo de tempo de 1º de abril de 2020 - mês em que as postagens começaram a circular - até a data de hoje, tampouco levou a análises que mostrassem uma rejeição de 98% do governador de São Paulo.

Em abril de 2020, um levantamento sobre o desempenho do governador paulista no combate ao coronavírus revelou que 19% dos entrevistados o consideravam ruim ou péssimo.

Em setembro do mesmo ano, uma avaliação geral do governo Doria revelou que 39% das pessoas questionadas viam a sua gestão como ruim ou péssima.

Em outubro, uma nova pesquisa foi feita a respeito do trabalho de Doria na pandemia de coronavírus, quando 34% responderam que o viam como ruim ou péssimo.

Em janeiro de 2021, o Datafolha perguntou quem estava fazendo mais pelo Brasil durante a pandemia, o presidente Jair Bolsonaro ou o governador João Doria. Nesse levantamento, por sua vez, 46% apontaram que era o governador de São Paulo.

Uma terceira busca, dessa vez pelos termos “João Doria” e “Ibope”, instituto de pesquisa que encerrou as suas atividades de análise de opinião pública no fim de janeiro deste ano, selecionando o mesmo intervalo de tempo de abril de 2020 até o dia de hoje, igualmente não levou a qualquer resultado próximo a 98% de rejeição.

Com o fim do Ibope, a pesquisa foi feita por meio do Google e da repercussão das análises na imprensa. Em abril, um levantamento feito com entrevistados das classes A, B e C de São Paulo mostrou que 21% desaprovavam as ações de Doria em relação à pandemia.

Em maio, o instituto revelou que 36% dos moradores da capital desaprovavam as ações do governador no combate ao covid-19.

Em setembro, a gestão de Doria foi avaliada como ruim ou péssima por 39% dos entrevistados. Em meados de outubro, esse número aumentou para 44% e no final do mesmo mês chegou a 49%, percentual mantido  no início de novembro. No dia 26 de novembro, contudo, esse índice alcançou os 51%, mas ficou distante dos 98% mencionados nas publicações viralizadas.

O governador de São Paulo, João Doria, no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, em 25 de janeiro de 2021 (Nelson Almeida / AFP)

A disputa entre Doria e Bolsonaro

O Brasil registrou o primeiro caso confirmado de covid-19 em 26 de fevereiro de 2020, de um morador de São Paulo que havia voltado da Itália.

O governador de São Paulo declarou a primeira quarentena no estado quase um mês depois, a partir de 24 de março, impondo o fechamento de estabelecimentos comerciais que não fossem considerados essenciais. Inicialmente, a medida, cujo objetivo era diminuir a disseminação do vírus, duraria 15 dias.

A decisão, contudo, foi prorrogada algumas vezes (123), quando as publicações viralizadas contra o governador começaram a circular, juntamente com muitas críticas, e o Brasil já registrava mais de 23 mil casos de covid-19, com cerca de mil mortes.

Desde então, o governador de São Paulo e o presidente Jair Bolsonaro travam uma disputa política. João Doria chegou a afirmar que “nenhum governador” iria aceitar a indicação de Bolsonaro “de não fazer isolamento ou de romper o isolamento”. Enquanto isso, o presidente pedia aos empresários que “jogassem pesado” com Doria pela flexibilização do confinamento. 

Um conteúdo semelhante também foi verificado pelas equipes da Agência Lupa, do Aos Fatos e do Estadão Verifica.

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