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26/03/21

Sai Pelé, entra Barbosa: Museu do Futebol homenageia 100 anos de nascimento de goleiro do Vasco

Pode ser uma imagem em preto e branco de uma ou mais pessoas, pessoas em pé e ao ar livre

Prevista para o primeiro semestre, exposição em São Paulo vai contar trajetória de camisa 1 do clube de São Januário e da abordar peso de questão racial após Copa do Mundo de 1950
Por Raphael Zarko — Rio de Janeiro
A poucos dias dos 100 anos do nascimento do eterno goleiro do Vasco, Barbosa (1921-2000) vai ganhar homenagem especial no Museu do Futebol em São Paulo. A equipe do museu prepara exposição que vai contar a história do camisa 1 histórico de São Januário e da seleção brasileira na Copa de 1950.
Barbosa vai substituir o Rei do Futebol. O espaço no Museu do Futebol que ainda abriga exposição sobre os 80 anos de Pelé - de 15 de outubro a 15 de abril - vai receber as imagens e todos objetos que a pesquisa e a curadoria do museu preparam. A ideia é abrir a exposição ainda no primeiro semestre, a depender, claro, das restrições sanitárias de controle de Covid-19.
O Vasco prepara série de homenagens a Barbosa. Campanha nas redes sociais e lançamentos de produtos licenciados com parte dos royalties revertidos para a família. O nome do ex-goleiro sai como favorito para rebatizar atual CT do Almirante
Coordenadora do Centro de Referência do Museu do Futebol, Diana Mendes e equipe buscam diversas referências sobre o goleiro, entre elas informações do Centro de Pesquisa, Preservação de Acervos e Divulgação da História e Memória do Club de Regatas Vasco da Gama e depoimentos, entre eles, de Tereza Borba, filha de coração do goleiro, que conviveu com o goleiro nos últimos anos de vida e guarda um pouco de sua história no quintal de casa, em Praia Grande.
A exposição prepara também um documentário inédito sobre Barbosa e vai ter parceria do Observatório de Discriminação Racial do Futebol. A abordagem da questão racial vai desconstruir a imagem em torno de Barbosa da derrota de 1950. Uma das frases mais marcantes dele era que ele cumpria muito mais do que a pena máxima do sistema penal brasileiro - de 30 anos por um crime que nunca cometeu.
- Com a derrota de 1950 foi construída uma mítica negativa de responsabilização do Barbosa. O goleiro é a figura solitária, a última salvação no futebol. O Barbosa era um craque, tinha muita visibilidade, mas por não conseguir defender os gols (do Uruguai) se construiu essa mítica. E ela perdura até o momento de uma desconstrução potente, que é justamente nossa tentativa - diz a coordenadora do Museu do Futebol.
Diana Mendes lembra que essa narrativa atingiu outros goleiros negros como Barbosinha (ex-goleiro do Corinthians), Aranha (ex-Santos), Jeferson (ex-Botafogo), entre outros no futebol masculino e feminino. O peso da derrota em 1950, que em nada envergonhava Barbosa por sinal, recaiu sobre os ombros do jogador e alimentou uma narrativa - no universo futebolístico e midiático - de que o jogador negro não tinha confiança e o goleiro negro não era confiável.
- Está na hora de abandonar essa mítica social e cultural em cima dele e pensar no Barbosa de outra maneira.
A efeméride dos 100 anos de Barbosa vai encontrar também outra marca especial no futebol, os 150 anos do surgimento da posição de goleiro no futebol. O Museu também vai explorar esse tema, com a memória de um jogador tão marcante no futebol brasileiro.

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