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02/04/21

 

Na reta final de 'Amor de Mãe', Regina Casé fala sobre bastidores da novela

Atriz, que interpreta Dona Lurdes na trama, comenta também os impactos da pandemia



VICTOR POLLAK
POR FILIPE PAVÃO*
Rio – A reta final de “Amor de Mãe” está movimentando a web. Nesta semana, o sumiço de Lurdes (Regina Casé) provocado por Thelma (Adriana Esteves) tomou conta das redes sociais. A novela de Manuela Dias, que termina na próxima semana, vai apresentar o desfecho do drama de Lurdes para encontrar e abraçar o filho Domênico, que foi roubado ainda na infância. Para Regina, interpretar a personagem e tratar de amor no horário das 21h foi um presente.
“Como atriz, a Manuela (Dias) me deu um tesouro inominável. Não só para mim, mas para o Brasil. Em um momento em que o ódio está reinando e brotando sem vergonha de dar as caras, você conseguir fazer uma flor no meio da lama e falar de amor é importante. A gente está cansada de ouvir que não é para construir muros, mas sim pontes. A Lurdes e a novela trazem isso”, diz Regina.
Em março de 2020, quando o mundo parou em decorrência da pandemia da Covid-19, Regina gravava “Amor de Mãe”, estava em cartaz com uma peça teatral e havia estreado o filme “Três Verões” . Ela conta que “puxar o freio de mão” e parar com todos os projetos foi difícil, apesar de necessário.
“A Lurdes é uma personagem muito arrebatadora. Para fazê-la, eu me joguei e puxar o freio de mão foi mais difícil. E não só pela personagem, mas pelo encontro com o elenco também porque a gente criou, de fato, uma família. Além disso, eu tinha acabado de estrear uma peça e um filme... Eu plantei, plantei e plantei, mas quando fui com o balaio para colher, veio a pandemia e tudo foi represado”, lamenta Regina.
Gravações do “novo normal”
Quando as gravações da novela retornaram, Regina conta que não conseguia esconder a felicidade de reencontrar os amigos de trabalho. Além disso, garante que se sentia protegida e cuidada pelos atores do elenco e pela produção, que seguia fortemente o protocolo sanitário, como estadia em hotel, testes constantes, acrílico nos sets, álcool gel e máscara.
“Me senti segura e muito bem cuidada. Na nossa família na novela, eu sou a mãe e a pessoa mais velha. Então, todo mundo estava preocupado comigo. Mas, ao mesmo tempo, eu era a que mais se jogava porque era a que estava mais frustrada por ter aquilo tudo guardado. Quando voltei, eu queria pular, abraçar e beijar. Nesse aspecto, não era imprudência, era amor mesmo”, relembra Regina.
O que as gravações do “novo normal” não permitiram foi o pagode dos sábados, o qual a atriz lembra com carinho. “Depois de gravar muitas horas durante a semana, todo mundo chegava rebocado no sábado. Antes da pandemia, a gente criou o hábito de levar uma caixa de som e colocar um pagode de manhã para dançar com os cabeleireiros, as maquiadoras e as camareiras. Esse momento do pagode, do sábado, era muito bom”, recorda Regina.
Pandemia
A atriz, que foi vacinada contra a Covid-19 nesta semana, conta que seguiu à risca as orientações dos médicos ao longo desse ano pandêmico. No início, acreditava não ser o ideal colocar a pandemia dentro da narrativa da trama, mas viu que seria inviável não levar e gostou do resultado.
“Lurdes é o Brasil, o que estamos vivendo. Como vou ganhar dinheiro? Como meu filho vai trabalhar? Como o outro vai poder sair? Como vou poder ir ao médico? Todas essas emoções, que são novas e estamos aprendendo a lidar a duras penas com elas, estão na novela”, conta.
Regina ainda reflete sobre a importância de repensar atitudes enquanto sociedade. “Nem todos entenderam, mas espero que todos entendam, que a gente precisa pensar na humanidade como um todo, nos bichos, nas plantas. Todo mundo depende de tudo o tempo todo. Se não, a gente vai viver esse inferno por muito tempo ou repetidas vezes”, reflete Regina.
Óculos, bolsa e toalhinha
Depois de seis meses sem gravar, Regina conta que não teve dificuldades para retomar os trejeitos e o sotaque de Dona Lurdes, que fazem tanto sucesso entre os telespectadores da novela, por causa de “objetos mágicos”. “Eu tenho uma curiosidade engraçada. Quando se passaram seis meses e voltei aos estúdios para gravar, eu botei os óculos, pendurei a bolsa e ajeitei a toalhinha. A Lurdes veio e não demorou nem um segundo”, brinca Regina.
* Estagiário sob supervisão de Tábata Uchoa

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