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28/05/21

A dependência tecnológica na pandemia

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas e telefone

foto:G1

Por Jô Alvim, Psicóloga
Em tempos de pandemia, o uso da Internet apresentou-se como uma das alternativas para muitas pessoas amenizar o impacto emocional negativo causado pelo isolamento social. Contudo, a ideia de sentir-se bem pode fazer mal quando o uso ultrapassa a fronteira daquela que é considerada apenas uma forma de distração.
Não é novidade pra ninguém que antes mesmo da pandemia, a Internet já tinha um destaque significativo na vida de todos nós. Com o confinamento obrigatório, a necessidade desta ferramenta aumentou. No entanto, o perigo reside justamente aí, pois essa utilização constante fez com que as pessoas permanecessem mais tempo conectadas do que o necessário e, com isso, muitas delas, perderam o autocontrole e tornaram-se dependentes.
Quando algo não vai bem, e há dificuldade para encarar a dor ou o vazio, a saída para muitas pessoas são os excessos. Por isso, a Internet não é propriamente a vilã e sim a escolha dela como defesa diante do sofrimento emocional que o individuo está vivenciando, como uma válvula de escape para fugir de questões que causam aflição. É uma forma de desconectar de si mesmo. Uma maneira de, ilusoriamente, desplugar daquilo que o angustia.
Os sintomas que caracterizam a dependência tecnológica incluem a dificuldade em diminuir o tempo on-line; mentir sobre a quantidade de tempo utilizada; recusar programas com amigos para ficar no computador; perder a noção do tempo atrasando a realização de tarefas; sentir-se ansioso quando está em algum lugar onde não possa conectar etc. Tais comportamentos deterioram as relações sociais do sujeito como também causam prejuízos físicos como dores nas costas, alteração do sono e ganho de peso.
O reconhecimento da dependência, por parte do usuário, é o primeiro passo para o tratamento que inclui o conhecimento de si e dos fatores que desencadearam a compulsão, apontando perspectivas para uma vida mais saudável. Só que, apesar da possível obviedade desta explicação, não é um processo simples, pois a maioria dos indivíduos não admite tratar-se de uma dependência, justificando que tem controle sobre o uso. E esse uso não se resume aos jogos eletrônicos, como muitos pensam. Ele pode estar contido na verificação inocente, porém constante, das redes sociais ou das conversas instantâneas.
Não há nada de errado em utilizar a Internet e, nela, as redes sociais. Porém, essas não devem substituir ou prejudicar as relações interpessoais da vida real.
A dor, e suas múltiplas formas de expressão, é parte da condição humana. Por isso, precisamos aprender a lidar de forma saudável com nossas emoções e dificuldades. Tarefa nem sempre fácil, porém possível.
Créditos: Joselene L. Alvim –psicóloga

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