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04/06/21

Exercícios: pouco é melhor do que nada

 


dolgachov/iStock

Conceição trabalha como diarista. 1x por semana ela vai ao meu apartamento. Não é muito comum nos encontrarmos. Mas certo dia, eu ainda estava em casa quando ela chegou e, aproveitando a ocasião, Conceição me fez a seguinte pergunta: “André, queria começar a correr, mas só posso ir aos domingos. Será que adianta alguma coisa?” Como era uma pergunta que exigia uma boa conversa, falei para Conceição que tentaria mudar minha agenda naquele dia e voltar a tempo de conversarmos. 

Voltei a tempo e fomos conversar. Perguntei a Conceição sobre seus objetivos, se sente alguma dor ou desconforto, suas limitações, como era sua rotina nos demais dias e que ela precisaria fazer algumas avaliações médicas para começar a correr (nesse momento torna-se necessário citar  que a corrida é um movimento natural do ser humano e que, para a maioria das pessoas, os benefícios serão enormes. Costumo brincar com as pessoas dizendo: cuidado, é um caminho sem volta).

Conceição me deu as respostas, me falou sobre sua rotina e me prometeu ir ao médico naquela semana. Liguei para uma aluna médica e Conceição fez sua consulta dias depois. Liberada, Conceição recebeu umas dicas de corrida, um programa de treinamento e me prometeu dedicação.

É importante destacar que, em função de sua ocupação profissional, Conceição era uma pessoa ativa, fazendo com que ela apresentasse bons resultados em seus exames.

Como citado no início, não era comum encontrar com Conceição, mas passamos a nos falar por telefone e ela sempre me parecia bastante empolgada com a corrida e dizia que estava seguindo as orientações. Disse que, mesmo indo apenas aos domingos, algumas dores articulares sumiram, seu sono estava melhor e que sua disposição para o trabalho havia aumentado. Como muitas vezes bons hábitos estão associados a outros bons hábitos, Conceição passou a ter uma alimentação mais saudável, dormir mais cedo e beber mais água.

Com o passar das semanas, o condicionamento de Conceição melhorou significativamente e pude exigir um pouco mais de seu organismo. Conceição continuava a correr somente aos domingos, todavia sua saúde e qualidade de vida aprimoravam-se cada vez mais.

Certo dia Conceição chegou ao meu apartamento e eu ainda estava em casa. Seu corpo havia mudado: cintura menor, músculos mais tonificados, rosto mais fino, sorriso mais brilhante e ela havia chegado bem mais cedo. Antes que eu a elogiasse, ela me agradeceu e disse: “Obrigada, André! A corrida está mudando minha vida. Durmo das 22h às 5h e acordo bem, disposta, animada e sem qualquer tipo de dor. Estou conseguindo correr 6 quilômetros em 30 minutos e termino bem! Obrigada!”

Sua saúde precisa ser sua prioridade

O caso de Conceição representa um grande exemplo para muitas pessoas que se perguntam se adianta alguma coisa treinar apenas um dia na semana. É importante citar que a Organização Mundial da Saúde recomenda a prática de 150 a 300 minutos por semana de atividade física em intensidade moderada ou 75 a 150 minutos em intensidade vigorosa, mas também afirma que todo minuto conta. Desculpas ou motivos: faça sua escolha.

Ou seja, ainda que a pessoa esteja bem longe de alcançar essa recomendação, sua saúde pode ter muitos benefícios com uma baixa quantidade de atividade física. Se não é possível treinar em grande quantidade, é preciso investir na qualidade do treino.

Importante: é necessário que toda e qualquer pessoa se esforce ao máximo para alcançar as recomendações citadas anteriormente no intuito de promover sua saúde. Contudo, nos casos em que isso não seja possível (mas reflita: a semana tem 10.080 minutos), é preciso lembrar que pouco é melhor do que nada.

Sabemos que a vida tem muitas demandas, e se não estivermos atentos, colocamos muitas prioridades e nossa saúde vai ficando para o final da fila. Cada pessoa precisa ser a sua prioridade. A única forma de estar bem e em paz com o mundo é colocando a saúde no início da fila. A atividade física é o caminho para isso. 



André Messias - Revista Seleções

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