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02/08/21

A ansiedade como porta de entrada para o pânico

 

© Fornecido por Estadão

Quem já passou por essa experiência sabe o quanto é desesperador estar na beira do abismo, pois quando o ataque de pânico chega ele tira o nosso equilíbrio, é como se a morte se apresentasse e você estivesse sendo convidado a sair do controle. Todos nós passamos por momentos que ficam registrados em nossas memórias que podem ter sido muito angustiantes a ponto de nos tirar o fôlego, gerando ansiedade. Vamos construindo as nossas vidas de acordo com essas experiências, muitas delas ficam adormecidas em nossos inconscientes, outras até lembramos, mas o fato é que em algum momento essas angustias podem ser revividas e a crise do pânico se manifestar.

O mais interessante desse processo é que as pessoas mais ansiosas acabam sendo as mais propensas ao pânico, é como um copo que vai enchendo aos poucos e em algum momento transborda. O ansioso está sempre vivendo e sofrendo por situações que ainda não aconteceram, sentem a necessidade de se anteciparem a possíveis acontecimentos e assim controlar os mesmos. Isso porque não querem reviver os momentos traumáticos do passado, por isso esperam o tempo todo armados, ficam a espreita para se defenderem de uma possível ameaça mesmo que inconsciente.

Porém isso é impossível, podemos até prever algumas situações, mas é irreal achar que é possível controlar o desenrolar da vida, mas o medo e a angústia são tão presentes que não conseguimos relaxar e viver o momento. É importante lembrar que quem vive essa montanha russa de emoções está mergulhado na ansiedade, sendo praticamente impossível pensar com calma e controlar os sentimentos.

A ansiedade é um estado de alerta constante, uma sensação de urgência, somos tomados por um medo na maioria das vezes é irracional, gerando um desgaste emocional intenso. Os pensamentos negativos ganham espaço, não conseguimos controlar, e os medos podem se manifestar de diversas formas como: medo de altura, de andar de avião, de agulhas, de insetos, de dirigir um carro, ou o medo de morrer sem algum outro aspecto específico.

Quando percebemos que estamos em uma crise de pânico é importante buscarmos ajuda pois frequentemente podemos acreditar que estamos tendo um infarto, nesse caso é preciso passar por uma avaliação para poder dar andamento ao tratamento adequado para cada caso. Ao descartar a hipótese do infarto é possível tratar o pânico com terapia, hipnose, mindfulness, meditação, homeopatia e também medicações alopáticas.

O mais importante é lembrar que o ideal é tratar as causas que levaram a disparar as crises e não somente abrandá-las, pois tudo o que é abafado volta a transbordar, então a medicação é importante e vai ajudar por um tempo, mas não irá impedir que o processo volte a se repetir. Olhar para o passado e compreender quais foram as experiências que podem ter originado a angústia inicial é um bom caminho, sendo possível a ressignificação e remissão das crises.

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