Páginas

Pesquisar este blog


24/08/21

 

Vitória Strada reflete sobre noivado: "Não esperava ter um amor tranquilo"

De férias após o fim de 'Salve-se Quem Puder', a atriz conta seus próximos passos, diz que a quarentena foi uma 'prova de fogo' no relacionamento com Marcella Rica e revela os planos para o casamento. Vitória fala ainda sobre representatividade e como tenta ajudar outras mulheres a viverem seus amores com naturalidade. "Eu não ter preconceito comigo mesma foi o que ajudou em tudo"

  • JAQUELINI CORNACHIONI
  • DO HOME OFFICE

 (Foto: Giselle Dias / Divulgação)

Um dia de cada vez. Esse foi o lema de Vitória Strada desde que a pandemia teve início, em março de 2020, no meio das gravações da novela “Salve-se Quem Puder”. Em um momento em que a saúde mental se tornou um dos assuntos mais importantes, a atriz diz que a companhia da noiva, Marcella Rica, a ajudou a enfrentar os dias de angústia e ansiedade. “Eu tive a sorte de ter a companhia da Marcella dentro de casa, então não me senti tão sozinha, mas de qualquer forma sentimos muito o baque. Eu e ela respeitamos demais a quarentena, permanecemos muito tempo trancadas dentro de casa, tentando encontrar formas de ajudar as pessoas na medida do possível e buscando manter a mente sã”, conta Vitória à Marie Claire.

Aproveitando as férias após dar vida à Kyra, Vitória está usando o tempo livre para descansar, estudar e conversar com os fãs nas redes sociais. Por lá a atriz também é representatividade. “Recebo mensagens diárias de fãs falando que conseguiram conversar com os pais sobre estarem apaixonadas por outra mulher depois que viram a naturalidade como eu trato esse tema e isso é importante demais. Nunca achei que seria a pessoa que ajudaria vidas assim, é incrível. Para mim, foi realmente muito natural. Nunca imaginei que fosse me apaixonar por uma mulher e, de repente, eu me vi apaixonada por uma mulher. E acho que eu não ter preconceito comigo mesma, foi o fator que ajudou em tudo”. Veja o bate-papo completo abaixo.

MARIE CLAIRE “Salve-se Quem Puder” acabou já tem um tempo, mas a novela foi um sucesso e uma das obras mais comentadas nas redes sociais. Os fãs ainda comentam com você sobre a Kyra?
VITÓRIA STRADA: É muito legal como as pessoas ficaram conectadas com a novela. Nós enfrentamos um momento muito crítico de paralisar as gravações, então tivemos uma primeira temporada, “férias” e uma segunda temporada. É assim que pareceu. De qualquer forma, as gravações paralisaram no momento certo, bem quando precisávamos ficar em casa - e ainda precisamos, porque a pandemia não acabou. Mas a parte boa é o quanto senti o público engajado com a trama, até por ser uma das poucas novelas inéditas no ar. Recebo muitas mensagens diariamente de fãs que brincam que ficaram órfãos da novela. Com certeza me deixa muito feliz que, nesse momento tão triste que estamos vivendo, “Salve-se Quem Puder” divertiu e trouxe leveza.

MC Foi difícil esse processo de pausar e voltar para a personagem depois de um tempo?
VS A parte mais fácil foi voltar para a personagem, difícil mesmo foi todo o resto: lidar com uma paralisação daquele tamanho. Foi nessa hora que entendemos a gravidade do que estava acontecendo e ficamos todos em choque. Ninguém esperava isso, né? No começo, achávamos que ficaríamos duas semanas sem gravar e voltaríamos em seguida, mas essas duas semanas se transformaram em quase dois anos. Foi um baque muito grande, muita apreensão e ansiedade. Mesmo sabendo que sou uma pessoa privilegiada, que não preciso sair na rua para trabalhar, existe uma angústia pra tudo acabar logo. Os dias passam diferente. Não foi fácil.

MC Na trama, conseguíamos notar uma química muito legal entre você e as outras duas protagonistas, Juliana Paiva e Deborah Secco. Vocês ainda são amigas mesmo após o término da novela?
VS No momento, não estamos nos encontrando por conta da pandemia. Não tem como. Mas nos falamos muito, toda semana. Nós acabamos formando uma família e é algo que eu sempre digo. Quando fazemos novela, convivemos muito mais com o pessoal da trama do que com a nossa própria família, então se forma uma irmandade.

MC: Durante toda a quarentena, se falou muito sobre saúde mental. Como foi essa questão para você?
VS: Foi um dia de cada vez. Eu tive a sorte de ter a companhia da Marcella dentro de casa, então não me senti tão sozinha, mas de qualquer forma sentimos muito o baque. Eu e ela respeitamos demais a quarentena, então permanecemos muito tempo trancadas dentro de casa, tentando encontrar formas de ajudar as pessoas na medida do possível e buscando manter a mente sã. Desenhei muito, aproveitei esse período para estudar bastante, aulas de espanhol, cursos de atuação. Além disso, eu e a Marcella assistimos todos os filmes e séries que você pode imaginar.

MC: Falando em relacionamento, nessa pandemia vimos um ‘boom’ de casais se separando. Como você e a Marcella conseguiram lidaram com esse período?
VS: Quando a pandemia começou, eu e a Marcella não estávamos há muito tempo juntas. Então eu digo que foi um teste, uma prova de fogo. Eu fiquei chocada em como nos demos muito bem, de verdade. Não esperava que seria tão incrível e, claro, se algo desse errado, eu falaria pra ela também. Por mais que você ame a pessoa, não é fácil passar por uma quarentena, porque é um momento crítico, lidando com muita pressão pessoal e no mundo. E é normal desabar. Mas o meu relacionamento com a Marcella só melhorou. Nós nos apoiamos, não brigamos, conversamos muito. Se eu disser pra você que brigamos sério em algum momento, vou estar mentindo. No máximo, uma vez (risos). De resto, sempre conversamos, porque o diálogo é a base, assim como o compromisso de querer estar com a outra pessoa. A nossa amizade é imensa e a gente quer dar certo.

MC: Você e a Marcella são um casal querido pelo público. Para você, como que é ser representatividade para tantas outras mulheres?
VS: Quando começamos a namorar, eu não esperava que as pessoas fossem se interessar tanto pelo nosso relacionamento. Às vezes, eu passo um tempo sem postar fotos com a Marcella e o pessoal já se preocupa, pergunta o que está acontecendo. E, para além disso, é ótimo saber que as pessoas se sentem representadas de alguma forma, é muito especial. Parte disso é o que me faz compartilhar mais coisas, porque eu nunca fui disso. Eu compartilho na medida que eu sinto que as pessoas gostam de ver. Caso contrário, eu seria até mais low profile. Recebo mensagens diárias de fãs falando que conseguiram conversar com os pais sobre estarem apaixonadas por outra mulher depois que viram a naturalidade como eu trato esse tema e isso é importante demais. Nunca achei que seria a pessoa que ajudaria vidas assim, é incrível. Para mim, foi realmente muito natural. Nunca imaginei que fosse me apaixonar por uma mulher e, de repente, eu me vi apaixonada por uma mulher. E acho que eu não ter preconceito comigo mesma foi o fator que ajudou em tudo.

MC: Em nenhum momento sentiu receio de expor o relacionamento?
VS: Acho que não. A Marcella é cinco anos mais velha do que eu, então ela é um pouco de outra geração, ela pegou outra época, onde as coisas eram mais difíceis. Quando começamos a nos relacionar eu pensava: ‘qual o problema de falar que estamos juntas?’. Nunca vi problema, sempre foi muito natural. Anteriormente, eu só havia me relacionado com homens, mas qual o problema de eu me apaixonar por uma mulher? É muito verdadeiro, então não tem motivo para eu esconder isso. Nunca vi maldade e gosto de levar essa leveza para as pessoas. Você pode viver aquilo que está sentindo. Amanhã posso sentir outra coisa, mas hoje o que eu estou sentindo é isso, o que eu vivo é isso. A única surpresa que tive foi de ficar impactada com o tanto que as pessoas gostaram de me ver compartilhando o meu relacionamento.

MC: Uma surpresa muito positiva, né?
VS: Demais. Eu tenho esse lado que, não é ingenuidade, mas leveza mesmo, de querer levar essa naturalidade para as pessoas, porque é como tem que ser: natural. Mas, ao mesmo tempo, sei que ainda vivemos em uma sociedade preconceituosa. Eu procuro, da maneira que eu posso, ir quebrando esses preconceitos. Cada um tem que ser livre para viver o que sente, não estamos fazendo mal a ninguém. As pessoas só querem amar, e o amor é o sentimento mais bonito do mundo. Se impedirmos as pessoas de amar, estamos perdidos.

MC: Sente que ainda falta representatividade de personagens LGBTQIAP+ na TV?
VS: Falta sim, e ainda precisamos de muitos passos para chegarmos lá. Por mais que hoje em dia estamos vendo mais, falta espaço para personagens interessantes. Espero que no futuro consigamos ter mais personagens plurais, em todos os sentidos, e que também não retratem só isso. Não precisamos colocar toda a discussão de um personagem LGBTQIAP+ apenas nesse assunto. Temos que introduzir isso com a maior naturalidade possível, e seria incrível ver mais desses personagens em novelas, protagonizando. E, claro, é necessário dar mais oportunidade para atores LGBT, negros, e de todas as pluralidades, porque é disso que o mundo é feito e precisamos mostrar isso. As pessoas são diferentes.

MC: Você e a Marcella estão noivas. Você pensava em se apaixonar e viver um grande amor nesse momento?
VS: Não, de forma alguma. Não esperava me apaixonar e ter um amor tranquilo dessa forma. Nós queremos estar juntas, e gostamos demais do nosso relacionamento. E não há nada mais gostoso e mais bonito de viver do que isso, mas não esperava me apaixonar assim, e encontrar uma pessoa com quem eu quisesse compartilhar a minha vida tão cedo e tão nova. Eu achei que ia penar um pouco mais, ainda mais sendo uma mulher. Eu nunca pensei que me apaixonaria por uma mulher, então foi tudo muito inesperado.

MC: Pretendem se casar em breve? E como vai ser esse processo: vai mostrar tudo nas redes?
VS: Acho que se eu não mostrar, vão me matar. Mas, de verdade, queremos esperar todos estarem vacinados para nos abraçarmos. Não consigo imaginar um casamento onde eu não consiga abraçar as pessoas que eu amo e comemorar. O que a gente vive de mais bonito, já vivemos, que é morar juntas. O casamento é só uma formalidade, e não pode ser um evento só pra mostrar, tem que ser prazeroso, então pra mim o prazer é dividir com a minha família esse amor. Outra coisa é que somos librianas né, então eu quero ver como vamos planejar esse casamento.

MC: Como você disse, o seu relacionamento com a Marcella começou um pouco antes da pandemia e da quarentena. Quando tudo isso passar, quais são os planos do casal? E também os seus?
VS: Eu quero muito estudar fora um tempo, é um plano que eu pretendo realizar. Essa é a primeira vez que estou de férias, depois de três anos trabalhando seguido. Por enquanto, adiamos os planos de viagem, mas é algo que queremos muito fazer depois. Tem tantos lugares que queremos conhecer e esse é um desejo muito grande meu, seja trabalhando ou de férias, estudando, sozinha, ou com a Marcella. Em breve, se tudo der certo, vamos realizar vários sonhos. Uma das minhas maiores vontade é conhecer Nova York. Já trabalhei e morei em muitos lugares quando era modelo, mas nunca lá.

MC: Você tem projetos em vista ou agora é férias mesmo?
VS: Nesse momento, é férias. O máximo é aproveitar para estudar, porque conhecimento é a coisa mais linda que podemos ter. Mas não nego que quero trabalhar logo. Eu sou incansável. E, se pudesse, estaria trabalhando de novo, porém entendo a importância de acalmar.

MC: Quais são seus maiores sonhos?
VS: Com certeza é me tornar uma atriz cada vez melhor, com mais conhecimento, estudo, técnica. E eu sonho com oportunidades. Não tenho nenhum personagem específico, mas gostaria de fazer personagens complexos, densos. Também tenho o sonho de trabalhar fora algum dia.


Nenhum comentário:

Postar um comentário