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02/08/21

 FÁBIA OLIVEIRA

EXCLUSIVO 'Aprendi que não preciso me anular para ser uma boa mãe', diz Marília Mendonça

Cantora conversa sobre filho, fama, amizades, música, maturidade e os cuidados com a mente e o corpo: 'muitas pessoas buscam espelho e eu busco estar bem'



Marília Mendonça



Divulgação

Esta colunista se atreve a dizer que Marília Mendonça está em sua melhor fase. Madura aos 26 anos, ela conta na entrevista exclusiva a seguir que, apesar da fama, teve que lidar com as frustrações comuns a todas as mães: ter que deixar o filho para trabalhar. "Eu trabalhei demais essa sensação de culpa. Acabei descobrindo que eu o Léo temos de estar felizes e ter nossos momentos e isso não será medido pela quantidade de tempo que estaremos juntos". Segura, a cantora afirma que jamais aceitaria um relacionamento abusivo e diz que a mudança em seu corpo aconteceu por uma questão de saúde: "O que me incomodou foram os resultados dos meus exames todos alterados".
Com o novo corte de cabelo você também anunciou a chegada de um novo ciclo na sua vida. O que podemos esperar dessa nova etapa?
Meu novo ciclo é relacionado ao meu aniversário. Abro um novo ano cheio de boas energias e boas perspectivas. Renovação faz parte de todo o processo e desta vez comecei pelo cabelo. E pode ter certeza que muito mais coisas virão neste novo ciclo!
Com a maternidade, o que mudou na vida da Marília mulher e da Marília Mendonça cantora?
Na mulher, tudo! Minha prioridade desde que soube da chegada do Léo passou a ser ele, mas aprendi que não preciso me anular para ser uma boa mãe. Tenho num exemplo maravilhoso de mulher e mãe em casa e isso me conforta demais. Junto com o Léo chegou muita sensação de culpa por trabalhar, por ter de viagens, enfim... por muitas coisas. Mas tenho conseguido administrar bem isso, muito por influência da minha mãe, que me dá segurança para tocar meu trabalho, porque sei que ela estará sempre perto do meu filho, como esteve perto dos filhos dela!
Você disse ter 'virado a chave da sua vida' e ser, hoje, muito mais dona do seu nariz. A que se deve essa virada?
Esta mudança tem nome: maturidade. Coisa que eu não tinha há alguns anos. Hoje sou uma Marília mãe, mulher e cantora. Isso me faz, sim, ser dona do meu nariz. Tenho pensado muito em empreendedorismo, até porque descobri ser uma empreendedora desde sempre, porque ao lado de pessoas competentes construí minha carreira e isso me faz empreendedora. Acho que a grande virada de chave tem a ver com todas essas descobertas.
Esse novo ciclo e as mudanças que você descreveu na sua vida impactam também na sua carreira, nas músicas e composições?
Uma virada de página só é possível com mudanças. Elas não precisam ser radicais, mas pontuais e bem pensadas. Não quero jogar fora tudo que construí, só quero aprimorar. Isso inclui carreira e também reflete nas composições. Minha cabeça já não é mesma da menina de 15 anos que assinou a primeira música.
Recentemente você falou sobre a dor de ser mãe e ter que, ao menos tempo, se dedicar intensamente ao trabalho. Como você organiza sua rotina para que não falte atenção ao Léo?
Aceitando uma rede de ajuda, a principal delas é a da minha mãe. Eu trabalhei demais essa sensação de culpa, acabei descobrindo que eu o Léo temos de estar felizes e ter nossos momentos e isso não será medido pela quantidade de tempo que estaremos juntos, e sim pela qualidade deste tempo. Eu sair para trabalhar não me fará uma mãe pior. Ao contrário! Me fará uma mãe mais forte e meu filho vai saber que eu sempre estarei ao lado dele, mesmo que distante fisicamente em virtude do trabalho.
Quais são as qualidades e os defeitos que você reconhece em si, como uma típica leonina?
(Gargalha). Uai, todas as qualidades e todos os defeitos de uma leonina!
O público feminino se sente muito representado pelas suas músicas, que retratam diversos perfis de mulheres. De todo o seu repertório, qual das suas músicas mais te representa como mulher?
Cada uma das músicas ou composições tem histórias ou sentimentos que eu acredito. Isso é o ponto passivo para a escolha do meu repertório. Sempre gostei de cantar a verdade... Se não a minha... a de alguém… (risos).
Em parceria com Maiara e Maraísa, você antecipou o lançamento da música 'Você não está sozinha', que aborda a violência contra a mulher. A composição é do seu irmão, João Gustavo, mas você já viveu uma relação abusiva? Já sofreu alguma forma de agressão num relacionamento?
Eu não me permito viver uma relação abusiva! Acontece que em muitas situações as pessoas não enxergam certas coisas como abusivas. Eu tenho um exemplo muito claro e não permissivo em casa: minha mãe nunca admitiu que um homem levantasse a voz para ela. Cresci vendo esta mulher controlar a própria vida, e por isso ela sempre será meu guia de conduta.
E por falar no seu irmão caçula, ele agora se lançou como cantor sertanejo. Você deu conselhos a ele sobre como conduzir a carreira e lidar com a fama?
Conversamos somos sobre a dores e as delícias, mas em casa nós sempre apoiamos uns aos outros. Ele sabe que o caminho não é fácil, porque sempre me acompanhou. Embora muitos achem que só porque o meu primeiro trabalho foi bem aceito que eu não ralei. Muito pelo contrário. Foram anos e anos compondo e compondo. Brinco com as meninas (Maiara e Maraisa) que éramos abelhas operárias e conseguimos nos transformar em abelhas rainhas, donas da nossa colmeia.
E você, já se acostumou com a fama ou ainda se surpreende com a repercussão das suas músicas e da sua própria vida?
Não diria fama, mas vou querer me surpreender sempre com a repercussão das minhas músicas, porque seguramente mandei uma mensagem e as pessoas entenderam. Não curto esse lance de fama... Gosto de lidar como fruto do meu trabalho e só a palavra 'fama' pode te dar uma sensação muito diferente da vida real, eu não quero isso para mim. Quero sim, estar sempre em sintonia com as pessoas, aprender, ensinar e fazer trocas saudáveis.
Você parece tentar se manter distante de brigas com outros artistas, mas seu nome já foi envolvido em algumas polêmicas, como a confusão com Anitta e Preta Gil. Como está a sua relação com as duas cantoras?
Como sempre esteve!
As 'Patroas' é um projeto que deu muito certo. É nítida a sintonia que existe entre você e as irmãs Maiara e Maraísa. Vocês são amigas de longa data, inclusive. Mas como é a relação das três fora dos palcos?
A mesma dos palcos: cumplicidade. Temos tantas histórias juntas, passamos perrengues, alegrias, descobrimos nossa força juntas. Isso não é algo que aconteça do dia para a noite. Temos uma relação de verdade. Sabemos conviver com nossas qualidades e com nossos defeitos.
Você tentou colocar balão gástrico e não se adaptou. Depois fez uma abdominoplastia. A briga com a balança sempre te incomodou?
O que me incomodou foram os resultados dos meus exames todos alterados. Foi aí que decidi fazer várias mudanças na minha vida, como parar de fumar. Eu comecei este processo e me senti muito bem. Acredita que consigo sentir falta de atividade física agora? Eu sempre me aceitei, com mais ou menos peso, tá aí a diferença: muitas pessoas buscam espelho e eu busco estar bem. Tenho hábitos saudáveis que me permitem enfiar o pé na jaca quando quero e pronto!
hoje, você está satisfeita com o seu corpo ou ainda gostaria de mudar algo?
Sim, como sempre estive. Acho que o único período que tive a autoestima abalada foi durante a gravidez... Meu nariz ficou gigante… (risos).
'Troca de Calçada' foi uma música que fez sucesso na pandemia. É uma música autoral e que fala de prostituição. De onde surgiu a ideia de abordar esse tema numa música?
Dentro do avião, com os parceiros de composição. Acho que é um assunto bem sensível e que pouca gente enxerga o lado humano que existe e muitas vezes deve ser um fardo muito pesado. Acho bem válido as pessoas enxergarem além do que os olhos veem.
Há alguns anos, você revelou que antigamente não gostava de sertanejo e nem imaginava ser cantora desse gênero. Hoje, vemos você cantando desde sucessos atuais até canções dos primórdios da música sertaneja. Em que momento realmente você passou a gostar e a consumir esse estilo musical?
Como profetizou um amigo lá atrás… Depois do primeiro chifre! Quando se toma um chifre a pessoa fica buscando uma música para sofrer… Sinistro, né?
Se não fosse cantora sertaneja, qual outro estilo você estaria cantando?
Gosto de tantos estilos… Não é porque canto sertanejo que não ouço outras coisas. E olha que é tipo de A a Z mesmo! Eu sempre soube que seria cantora, mas curto demais o brega… (risos).
Como é a playlist da Marília Mendonça?
Tem de tudo! Eu sempre busco novas referências. Se eu me fechar e somente ouvir sertanejo, provavelmente cairia na mesmice.
Como tem sido a sua rotina durante a pandemia?
Massa! Tenho ficado muito com o Léo, me cuido, produzo e até cozinho, mas sinto muita falta da galera, da estrada, do público e do palco.
As lives foram uma alternativa encontrada pelos artistas para suprir a ausência dos shows presenciais. Você acredita que, com o fim da pandemia, ainda haverá espaço para as lives ou elas vão acabar junto com a Covid-19?
Acho que as pessoas querem mesmo é se encontrar, aglomerar, sorrir, cantar, tomar umas... e bem longe de lives (risos).

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