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03/08/21

 

Alexandre Borges fala de 'altos e baixos' ao cuidar da mãe com Alzheimer: 'Tentei não entrar em um espiral de desespero'

Alexandre Borges e a mãe
Alexandre Borges e a mãe Foto: Sérgio Zallis/TV Globo/Divulgação e Reprodução/Instagram
Extra /Foto: Sérgio Zallis/TV Globo/Divulgação e Reprodução/Instagram

Dona Rosalinda, de 82 anos, é uma noveleira apaixonada e, mesmo com Alzheimer, fica com os olhos grudados na TV na reprise de "Ti ti ti" para ver, e reconhecer, o filho, Alexandre Borges. Este é apenas um dos programas que o ator, de 55 anos, faz ao lado da mãe, desde que pausou a carreira para cuidar dela.

"Percebi que a cabeça da minha mãe estava começando a falhar no Natal de 2019. Sempre tão lúcida e ativa, ela apresentava os primeiros lapsos de memória, falava coisas desconexas e já não lembrava que havia almoçado. Pela experiência na família, conhecia de perto o doloroso processo de desligamento que vai ocorrendo naturalmente. Tentei não entrar em um espiral de desespero. Era preciso reunir forças para cuidar dela e tranquilizá-la. Decidi então parar tudo, mudar para Santos, onde nasci e ela vive até hoje, para ficarmos juntos", relembra Alexandre Borges em depoimento dado à "Veja".

Por quase dois anos, o artista se dedicou exclusivamente à rotina da casa, das compras do mercado à faxina. O trabalho ficou mais árduo quando em julho de 2020, a matriarca da família sofreu uma queda e quebrou a perna. Passou por uma cirurgia delicada, ficou dez dias hospitalizada e conseguiu ter alta. Mas ficaram sequelas.

"Achei que dessa vez a perderia, mas minha mãe é uma piauiense guerreira. O trabalho ficou mais árduo e formei uma equipe de profissionais para antedê-la em casa. Hoje, ela está numa cadeira de rodas e com a fala restrita, interagindo apenas com sua fisionomia, usando expressões faciais. Nada, porém, a impede de me mandar beijos e aceitar meus abraços cheios de afeto".

Ver a mãe com uma doença incurável causa um misto de sentimentos a Alexandre, principalmente agora em que ele está retomando os trabalhos como ator, aliando aos cuidados na casa da família.

"É claro que não é fácil ver alguém que você ama com todas as forças adoecer desse jeito. Dizem que cuidar de idoso e criança dá trabalho semelhante, mas discordo. A criança a gente cria e prepara para o futuro, enquanto, no caso de uma velhinha, com uma doença sem cura, a tensão e o desgaste são permanentes. Estou aprendendo com minha mãe a aproveitar a cada instante em que vivemos do lado de quem realmente importa. Pus o pé no freio na carreira para cuidar dela e, passada a fase mais crítica, agora tento retornar a vida, dividindo o tempo entre Santos, Rio, para visitar meu filho, e alguns trabalhos em São Paulo. Tuddo isso me fortalece para estar com ela. Enquanto há vida, há esperança".

fonte:https://extra.globo.com/

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