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11/09/21

Bombas self-service: frentistas temem desemprego; os representantes de postos não apoiam a ideia

Frentista, Hernandes Meneses teme o desemprego com a colocação de bombas de autosserviço nos postos
Martha Imenes

Trabalhadores de postos de combustíveis temem engrossar a fila de desemprego que já soma 14,8 milhões de pessoas no país, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isso porque o deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP) propôs uma emenda à Medida Provisória 1.063 visando derrubar a Lei 9.956/2000, que proíbe a instalação de bombas de autosserviço nos postos de abastecimento de combustíveis. A medida levará à demissão meio milhão de frentistas em todo o país. O alerta é do presidente do Sindicato dos Empregados em Postos de Combustíveis (Sinpospetro) de Niterói e Região, Alex Silva.

A emenda do deputado pode entrar na MP aprovada pelo presidente Jair Bolsonaro em agosto, que autoriza produtores ou importadores a vender etanol diretamente aos postos, sem a intermediação de distribuidoras, antes obrigatória. Os postos também podem revender combustíveis de mais de uma bandeira (marca comercial).

Para o parlamentar, os frentistas aumentam custos de operação o que impacta o preço dos combustíveis. O que o representante dos frentistas rebate:

– Os salários dos frentistas representam apenas 2% na composição dos preços dos combustíveis. O que realmente encarece os valores é o transporte, a carga tributária e a movimentação internacional. O argumento de que os combustíveis ficarão mais baratos sem os frentistas é um absurdo, é mais uma fake news – adverte.

Em publicação no Twitter, Kataguiri chegou a escrever que a mudança não causaria desemprego, mas aqueceria a economia e com "empregos em ramos diferentes, (…) melhores condições e salários maiores". Ainda de acordo com o deputado, caberá aos donos de postos decidir qual modelo de negócio é mais vantajoso. Os representantes de postos e de trabalhadores discordam.

— O aumento desenfreado dos preços no Brasil é criminoso e reflete o desmando político e econômico que vivemos. Sabemos que extinguir toda uma categoria, além de aumentar o desemprego, a miséria e a fome, não resultará em baixa nas bombas — afirma Alex.

O que dizem nos postos de combustíveis

Para se ter uma ideia, nem mesmo os donos de postos de combustíveis veem essa bomba de autosserviço com bons olhos. Maria Aparecida Siuffo Schneider, presidente do Sindcomb, chama atenção para o momento de crise que o país atravessa e ressalta que o sindicato é contra a adoção do self-service nos postos de combustíveis.

— É inadminissível falar em desempregar um contingente de mais de 600 mil frentistas que trabalham pelo Brasil afora no momento onde se tem 14,8 milhões de desempregados em todo país — adverte.

Paulo Miranda Soares, presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), aponta outros pontos como a funcionalidade da bomba de autosserviço.

— A federação está avaliando este tema junto ao Conselho de Representantes da Fecombustíveis. Até o momento, uma das questões que nos preocupa é a diferença de tempo de abastecimento entre o posto full service (sistema com frentistas) e o self service (autosserviço - população). O frentista demora, em média, 2 minutos e 40 segundos para encher um tanque, enquanto que um cliente gasta em torno de 10 minutos, no mínimo 9 minutos, de acordo com uma pesquisa — afirma Paulo Soares.

Ele acrescenta que no contexto no fluxo de vendas do posto, considerando tempo maior de abastecimento, para não cair as vendas seria necessário triplicar o número de bicos de bombas de abastecimento.

— Para triplicar o número de bombas, surge um terceiro gargalo que será necessário ter espaço para ampliar o número de bombas de abastecimento. Os terrenos dos postos têm, em média, 1,2 mil m². Consideramos que, pela característica que o Brasil tem do parque de abastecimento, esta proposta tem que ser pensada com muita cautela — avalia.

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Frentista da Região Oceânia de Niterói, Hernandes Meneses fez um vídeo para o jornal EXTRA em agradecimento aos clientes que se manifestaram contrários à instalação de bombas self-service.

— Eles sabem que é o nosso ganha-pão e que isso vai tirar nosso emprego — diz Hernandes.

Outras atribuições

Alex Silva, do Sinpospetro, chama atenção para outras funções desempenhadas pelos frentistas além do abastecimento.

— Os postos de combustíveis funcionam como referência e é o frentista quem está ali para dar informações sobre a cidade. Os profissionais também são capacitados para enfrentar os riscos de intoxicação pelo benzeno (que ocorre no momento do abastecimento) e também situações de incêndios — afirma Alex.

Ele explica que hoje as empresas são obrigadas a qualificar seus funcionários, conforme determina a Norma Regulamentadora 20 do Ministério do Trabalho, que trata de segurança e saúde nos postos de combustíveis. A segurança nos postos foi incluída na NR 20 em março de 2012, após a conclusão de vários estudos sobre o assunto.

Tramitação do PL

prazo para sugestão de emendas está encerrado e uma comissão formada por 12 senadores e 12 deputados analisará questões como relevância, urgência, mérito e viabilidade financeira das propostas. Em seguida, a Câmara dos Deputados deve votar o texto editado antes que vá ao Senado Federal.

A matéria entra em regime de urgência no Congresso a partir do próximo dia 26, com limite para sua definição até 10 de outubro. Sendo aprovada no Congresso, o texto retorna ao presidente, que sanciona ou não a MP.

A Medida Provisória passará a vigorar quatro meses após sua publicação no Diário Oficial da União.

fonte:https://extra.globo.com/

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