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08/10/21

 

Atriz Mayana Neiva se lança como cantora e diretora, e prepara segundo livro infantil inspirado na sobrinha que superou leucemia

Naiara Andrade

Em 2011, quando se despedia da carismática Desirée, de “Ti ti ti” — cuja reprise chega ao fim nesta sexta-feira (dia 8), no “Vale a pena ver de novo”, da Globo —, Mayana Neiva estreava uma outra faceta: a de autora de livro infantil. Inspirada pela chegada ao mundo da sobrinha Marina, a atriz lançou “Sofia”, história de uma menina que engole o sol e passa por muitas aventuras.

— Eu me apaixonei muito por Marina, que teve um nascimento difícil, prematuro, e quis transformar esse amor em livro, em homenagem a ela — lembra a titia coruja, que contou com a parceria de sua prima, Luana Neiva, nas ilustrações da obra.

Agora, uma década depois, Mayana tem novo motivo para celebrar a vida da menina, que completa 12 anos em dezembro.

— Marina foi diagnosticada com leucemia em maio de 2019. Fiquei um ano no hospital com ela, apoiando minha irmã. Ficamos morando juntas e nos cuidando. Por causa desse coletivo feminino entre nós, surge meu segundo livro, “Sementear”, que está vindo por aí. É a vida que sempre abre campo para a arte — anuncia.

A paraibana radicada em São Paulo tem mais dois sobrinhos e nenhum filho.

— Morei em outro país por muito tempo (nos Estados Unidos, de 2013 a 2018). Não queria ser mãe naquela situação. Acho que maternidade tem que ser natural, fazer sentido. É uma escolha extremamente importante na vida de alguém. Você precisa se sentir pronta e desejando. Eu gostaria de ter num contexto de família. Mas, se não acontecer, tudo bem. Vejo isso com muita abertura. Há outras formas de ter filhos: a maneira como nos damos para o mundo, as causas que escolhemos abraçar... Sou mãe de ideias que podem somar na vida das pessoas — afirma ela, aos 38 anos.

Assim, quando o mundo parou por causa da pandemia, Mayana “pariu” projetos. A artista se pôs a produzir, desenvolvendo outros talentos: elaborou um documentário sobre a história de vida de seu avô paterno (leia detalhes mais abaixo), estreando como roteirista e diretora, e decidiu investir em sua carreira musical. Sim, para quem não sabe, a ex-Miss Paraíba também canta.

— Foi uma oportunidade de desabrochar e colocar para fora tudo o que tinha aqui dentro e queria compartilhar. Fiz um exercício de reinvenção, de renascimento. Todo artista precisa disso. De tempos em tempos, eu sinto que tenho outras fomes, e preciso comparecer a elas — filosofa a bela, adiantando que seu primeiro álbum, ainda sem título, tem muito de suas raízes nordestinas: — Começa por aí e passeia pelas sonoridades latina e ibérica.

Mayana aposta no mundo da música simultaneamente a uma conterrânea muitíssimo querida por todo o Brasil.

— Juliette é uma força, um ser lindo, de tanta luz! Umas das coisas mais bonitas nesse primeiro EP dela é ser a realização de um sonho. Vejo ela falando sobre ela, com amorosidade, para o mundo e realizando um sonho diante dos nossos olhos. Acho que é por isso que muitas pessoas ficam felizes quando se conectam com ela. Obviamente, por ser da minha terra, eu celebro muito isso — diz a nativa de Campina Grande, que não conhece a ex-BBB pessoalmente, mas foi homenageada por ela numa série especial publicada em seu canal do IGTV, intitulada “Paraibando”.

Assim como a milionária, a atriz honra suas origens e seu sotaque característico.

— Se eu tiver que aliviar ou mudar meu jeito de falar por causa do trabalho, que não seja por um preconceito, mas uma necessidade da personagem, eu sou atriz e conto qualquer história. Mas, quando eu posso ser verdadeira e conivente com a minha trajetória, o sotaque traz uma dimensão de brasilidade, de tempero, de realidade e de diversidade. Tenho muito orgulho de usá-lo — afirma a atriz, que protagoniza a série “Rotas do ódio”, disponível no Globoplay, como uma delegada que investiga crimes de intolerância, inclusive contra nordestinos.

Avô é homenageado pela neta em filme

Em cartaz nos cinemas com “O silêncio da chuva”, longa-metragem em que foi dirigida por Daniel Filho, Mayana comanda seu próprio filme com roteiro emocionado. Em julho, ela viajou ao sertão da Paraíba para gravar “José”, documentário sobre o balaieiro e fotógrafo José Neiva.

— Eu morei muito tempo fora e, quando voltei ao Brasil, me perguntei quais eram as minhas histórias de verdade. Pra mim, elas começavam com a do meu avô. Foi extremamente emocionante entrar no tempo em que ele viveu, nas escolhas, no salto humano que deu... Ele era balaieiro da feira, alguém que carregava carne na cabeça, e se tornou fotógrafo, tirando a família da miséria. É uma grande referência para mim — detalha.

Aos 89 anos, seu José não segurou as lágrimas ao assistir às primeiras cenas do filme, que está em fase de montagem.

— Ele chorou de felicidade, coisa que há muito tempo não fazia — conta Mayana, já satisfeita com a própria obra: — Como atriz, estou sempre fazendo o trabalho dos outros. Esta é uma maneira de eu começar a criar a minha autoria como artista. Ainda falta bastante coisa, mas estou muito feliz de ter mergulhado nessa história.

fonte:https://extra.globo.com/

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