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04/09/21

Inflação de insumos e serviços impacta no preço das marmitas

Pode ser uma imagem de 1 pessoa, em pé, comida e área interna

Foto: Weverson Nascimento
Alta de preços de itens básicos afetam o bolso do trabalhador e o faturamento dos restaurantes com a venda de marmitas
PRUDENTE - CAIO GERVAZONI de O Imparcial de Presidente Prudente
Foi-se o tempo em que era possível comprar uma marmita por menos de R$ 10. As marmitas são o carro-chefe de muitos estabelecimentos alimentícios por serem mais baratas do que uma refeição self-service ou pratos à la carte. Porém, hoje em dia, nos restaurantes de Presidente Prudente, consultados pela reportagem, o preço de uma marmita pequena varia entre R$ 11 e R$ 15; uma de tamanho médio, entre R$ 13 e R$ 18; e uma grande, entre R$ 15 e R$ 22. O aumento do preço da “quentinha” pode ser justificado por uma série de fatores, entre eles a forte inflação de itens básicos, como energia, combustível e, principalmente, os alimentos, que seguem em alta mês após mês.
A divulgação do último IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), realizado pelo IBGE (Instituo Brasileiro de Geografia e Estatísticas), comprova o efeito dominó que a alta de preços provoca em toda a cadeia produtiva e de consumo. Em julho, o IPCA subiu 0,96%. No ano, o índice acumula alta de 4,76% e, nos últimos 12 meses, de 8,99%. A alta é puxada pelo aumento de preço dos combustíveis, da energia e alimentos básicos, como o arroz, feijão e as carnes, itens indispensáveis na composição de uma marmita, por exemplo.
“Os preços aumentaram demais. Energia, alimentos em geral, embalagens e, principalmente, a parte que a gente mais usa no caso de uma cozinha, que é o gás, a carne de boi e de frango e o óleo de soja”, relata o proprietário do restaurante Colher de Pau, Fernando Nunes.
Na correria para atender os pedidos da clientela no pico do horário de almoço, o dono do restaurante fala sobre a situação delicada que a crise econômica impõe ao estabelecimento. “Estes aumentos impactam demais na nossa margem de ganho. Porque se a gente repassar toda essa alta para os clientes, nós vamos perder todos”, pontua Fernando. Ele fala que é preciso fazer “malabarismos” para não perder a clientela, que sempre reclama quando o preço da marmita sobe. “Tudo mundo reclama! O pessoal reclama direto do preço. Um pequeno aumento já gera reclamação. Quanto o cliente fala ‘já aumentou de novo’, respondo que não estou repassando todo custo que absorvo e só repasso uma pequena parte para não perder tudo”, enfatiza o dono do estabelecimento, que, desde o começo do ano, já reajustou o preço das marmitas duas vezes.
"Cenário difícil"
Fernando, que iniciou com o restaurante em 2012, conta que de 2014 a 2017 as vendas estavam altas, no entanto, a partir de 2018 começou a sentir a estagnação do comércio e a queda das vendas. “Precisei dispensar os funcionários. A economia travou. Com a pandemia, o setor travou de vez. De 2020 pra cá, os aumentos estão abusivos e afetou diretamente nossa produção e sistema de trabalho”, lamenta o proprietário. “Atualmente, aqui no restaurante só está eu e minha esposa tocando. Temos que fazer das tripas coração para poder sobreviver. Está difícil demais, mas a gente acredita, que a partir de agora, com todo mundo vacinado, possa haver uma reação”, estima.
Por sua vez, a proprietária do Rose Marmitex e Restaurante, Rafaela Serrano da Costa, trabalha há 13 anos no ramo e se diz estremecida com o contexto atual. “São mais de 10 anos apenas com entrega de marmitex. Estamos tão assustados com a inflação que fizemos algumas contas e o valor da alimentação em geral está de cinco a oito vezes mais caro do que quando nós começamos”. Rafaela reclama da atual situação e diz que terá que aumentar o preço das marmitas mais uma vez. “O último aumento foi há seis meses. Nós costumávamos aumentar o preço entre um ano e um ano e meio no máximo, né? A gente não gostava de aumentar o preço durante o mesmo ano, só que dessa vez vamos ter que aumentar em menos de 6 meses”, afirma a proprietária.
Tanto Rafaella, da Rose Marmitex e Restaurante, quanto Fernando, do restaurante Colher de Pau, não trabalham com aplicativos de entrega como o iFood. Diferentemente deles, o proprietário da Torre Restaurante e Marmitex, Rafael Oliveira, faz o uso do aplicativo e remedia quanto ao impacto do app em seus ganhos. “Seria melhor se não existisse, porque consome bastante da nossa margem de ganho. Como muitos estabelecimentos usam o aplicativo, nós também somos obrigados a usar”, pontua Rafael. O proprietário também fala sobre o cenário atual e como a alta dos preços em geral sufoca a relação entre restaurante e clientela. “A gente pode falar que de 10 anos pra cá, o preço dos produtos quase que triplicaram e o preço de venda não acompanha este aumento. Para ter um bom faturamento hoje, teria que vender uma marmita pequena a R$ 20. Qualquer reajuste feito gera queda nas vendas e a reclamação dos clientes”, explica.

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