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15/09/21

Setembro Verde: entenda o que provoca o câncer de intestino

 


Shutterstock

Além da campanha em prevenção ao suicídio, setembro é conhecido como o mês de conscientização sobre o câncer de intestino. A campanha “Setembro Verde” foi promovida pela primeira vez em 2015 pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) em parceria com a Associação Brasileira de Prevenção do Câncer de Intestino (Abrapreci), visando informar a população sobre forma de prevenção contra a doença.

Poucos sabem, mas o câncer de intestino - que abrange os tumores que se iniciam na parte do intestino grosso chamada cólon e no reto (final do intestino) e ânus - é o terceiro tipo mais comum, responsável por cerca de 10% de todos os diagnósticos de câncer.

Além disso, segundo dados da estimativa divulgada pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA), no triênio 2020-2022 o país registrará 625 mil novos casos de câncer ao ano, sendo que o colorretal (quando se desenvolve no intestino grosso: no cólon ou em sua porção final, o reto) e o de estômago serão o terceiro e o quinto mais prevalentes, com incidência de 41 mil e de 21 mil casos, respectivamente.

No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda iniciar o rastreio do câncer de cólon e reto da população adulta de risco habitual na faixa etária de 50 anos.

Como surge

De acordo com Artur Ferreira, médico oncologista, a maioria desses tumores surge por meio da transformação maligna das células que revestem esses órgãos. "Como grupo, possuem inúmeras causas, entre as quais se destacam sobrepeso e obesidade, sedentarismo, tabagismo e etilismo, alto consumo de carne vermelha e carne processada, baixa ingestão de fibras e vegetais, diabetes e infecções como hepatites B e C, infecção pelo Helicobarter Pylori e infecção pelo Papilomavírus Humano, o HPV", explica.

Fatores hereditários também são importantes, mas o médico ressalta que eles exercem menor influência no surgimento dessas doenças do que as causas listadas.

A importância do controle precoce da doença

Segundo Renata D’Alpino, oncologista, há muitos tabus que cercam o rastreio preventivo do câncer colorretal, o que contribui para a baixa adesão ao controle precoce da doença mesmo entre pessoas que fazem parte do grupo com risco aumentado.

"Muitas vezes, o tumor só é descoberto tardiamente, diante de sintomas mais severos, como anemia, constipação ou diarreia sem causas aparentes, fraqueza, gases, cólicas abdominais e emagrecimento", explica Renata.

Além disso, apesar do sangue nas fezes ser um indício inicial de que algo não vai bem na saúde, de acordo com Renata, muitas pessoas costumam creditar essa ocorrência a outras causas convencionais, como hemorroidas, e acabam postergando a busca por um especialista e a realização de exames específicos.

"Isso faz com que muitas pessoas só descubram o câncer em estágios avançados", diz.

Prevenção

Não se desespere! Em relação ao colorretal, segundo Heber Salvador de Castro Ribeiro, cirurgião oncológico, geralmente tem cura se for diagnosticado precocemente e a taxa de mortalidade não chega a 6%. "O tratamento costuma ser iniciado por uma cirurgia para remover a parte afetada do intestino e depois complementado por radioterapia e quimioterapia, podendo variar de acordo com cada paciente e seu respectivo estado clínico", explica.

Ademais, além de manter hábitos saudáveis, é fundamental fazer o rastreamento por meio de exames periódicos de colonoscopia a partir dos 50 anos para detectar o tumor em fase inicial e, assim, aumentar as chances de cura.

É importante também prestar atenção nos sinais que possam indicar a doença, como presença de sangue nas fezes, dores abdominais frequentes, mudança repentina no ritmo intestinal e perda de peso sem explicação. "Muitas vezes esses sintomas podem não estar relacionados ao câncer, mas é fortemente recomendado que se procure um médico para investigar as causas", clarifica Heber.

Tratamento

Vai depender do tipo, da localização do tumor e também da forma como ele está apresentado - localizado ou disseminado. Porém, a abordagem pode incluir cirurgia, quimioterapia (combinada ou não à radioterapia), terapias com drogas alvo-moleculares e imunoterapia.

"São doenças potencialmente curáveis quando diagnosticadas em sua fase inicial", afirma Artur. "E praticamente incuráveis quando se apresentam disseminadas pelo organismo, em metástases", complementa.

Por isso, é importante o rastreamento precoce quando indicado, para que o diagnóstico pegue o tumor em sua fase inicial e a chance de cura seja maior.

Fontes: Artur Ferreira, médico oncologista do CPO/Oncoclínicas; Heber Salvador de Castro Ribeiro, cirurgião oncológico e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica; Renata D’Alpino, oncologista e líder da especialidade de tumores gastrointestinais e neuroendócrinos do Grupo Oncoclínicas.

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