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20/11/21

 

Quase um quarto das famílias dependeu de programas sociais como auxílio emergencial em 2020, mostra IBGE

Agência da Caixa com fila de espera para benefícios sociais do governo
Agência da Caixa com fila de espera para benefícios sociais do governo Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo
Carolina Nalin
Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

Em meio à pandemia, o aumento do desemprego e a necessidade de programas de transferência de renda mudaram o perfil do rendimento dos lares brasileiros. É o que aponta a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do IBGE, divulgada nesta sexta-feira.

A proporção de domicílios que recebeu renda de programas sociais, como o auxílio emergencial, saltou de 0,7%, em 2019, para 23,7%, quase um quarto dos lares do país, em 2020. O aumento foi registrado em todas as regiões, com destaque para o Norte (de 0,5% para 32,2%) e Nordeste (de 0,8% para 34,0%).

Em paralelo ao aumento da dependência de benefícios sociais, a saída de 8,1 milhões de pessoas do mercado de trabalho no ano passado levou o número de brasileiros com renda oriunda do trabalho a cair para 40,1% da população com idade de 14 anos ou mais, o menor patamar desde 2012, quando foi iniciada a série.

Já a quantidade de pessoas que recebeu renda de outras fontes - como aposentadoria, pensão, aluguel, seguro-desemprego e programas sociais do governo - chegou a 28,3%, o equivalente a 59,7 milhões. O pagamento do auxílio emergencial foi o que puxou o avanço, segundo o IBGE.

Menos gente recebendo aposentadoria e pensão

O contingente de pessoas que recebeu recursos de algum programa social, como o Bolsa Família e o auxílio emergencial, ou seguro-desemprego saltou de 16,4 milhões em 2019 para 30,2 milhões (14,3%) no ano passado.

— O mercado de trabalho sofreu (ano passado). Com menos gente tendo renda do trabalho, que em geral é a principal fonte de renda das famílias, o auxílio emergencial foi um colchão para que as pessoas sentissem menos os efeitos da pandemia — diz Alessandra Brito, analista de pesquisa do IBGE.

A renda proveniente da aposentadoria ou pensão, que obtinha o maior peso dentro da categoria de outras fontes desde 2012, foi ultrapassado em 2020 pelo segmento que abarca os programas sociais, como o auxílio emergencial.

Apenas 12,4% da população obtiveram renda da aposentadoria ou pensão no ano passado, uma queda frente os 13% em 2019.

A parcela da população que obteve renda advinda de aluguel ou arrendamento caiu de 2% em 2019 para 1,3% em 2020. Já o contigente de brasileiros com renda oriunda de pensão alimentícia ou doação caiu de 2,5% em 2019 para 1,7% em 2020.

Nordeste: renda do auxílio maior que a do trabalho

Na região Nordeste, a dependência de programas de transferência de renda do governo foi ainda maior para compensar a queda da renda do trabalho.

A região amargou o menor percentual (32,3%) de população residente com renda proveniente do trabalho, seja informal ou formal. No Sul, quase metade da população (46%) conseguiu obter renda oriunda do trabalho.

O Nordeste também foi a primeira região do país a registrar um percentual superior de renda advinda de outras fontes, como programas sociais (32,8%) frente o rendimento do trabalho (32,3%). Historicamente, a renda do trabalho é a principal fonte de renda das famílias em todo o país.

Desigualdade cai porque lares perdem renda

Apesar da menor participação da renda do trabalho para compor o rendimento dos lares brasileiros, a desigualdade de renda domiciliar per capita no ano passado apresentou queda histórica.

Segundo o IBGE, o Índice de Gini do rendimento médio domiciliar per capita, que vinha crescendo desde 2016, passou de 0,544 em 2019 para 0,524 em 2020. No índice, quanto mais perto de 1 maior a desiguadade.

O indicador caiu em todas as regiões, sobretudo no Norte e Nordeste, onde o auxílio emergencial atingiu maior proporção de domicílios.

A analista da pesquisa Alessandra Brito explica que, apesar de a notícia parecer positiva, o movimento de redução da desigualdade ocorreu porque todos os domicílios perderam renda, sendo que a metade da população com os menores rendimentos pôde compensar perdas com o auxílio.

— O auxílio foi como um colchão para a desigualdade não piorar. Mas a gente teve uma melhora porque todo mundo perdeu, não porque as pessoas estão ganhando. É uma notícia que parece boa mas não é tão boa.

Os resultados da pesquisa levam em conta a reponderação realizada na Pnad Contínua. A pesquisa foi recalibrada com o objetivo de mitigar os impactos da coleta por telefone, e passa a considerar os totais populacionais por sexo e grupo etário com projeções populacionais baseadas em dados Censo 2010.

fonte:https://extra.globo.com/

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